"Brazilian Times" é maior e mais antigo jornal brasileiro em circulação nos EUA

O sonho de construir uma vida melhor muitas vezes tem como destino o exterior. Apesar da crise que afeta os Estados Unidos desde 2008, atualmente, são cerca de três milhões de brasileiros vivendo no país, sendo que mais da metade de maneira ilegal.

Atualizado em 25/07/2013 às 14:07, por Camilla Demario.

Há 25 anos, o jornalista mineiro Edirson Paiva, que trabalhava para o Português Times , voltado para a comunidade portuguesa nos EUA, decidiu criar um jornal similar para os imigrantes brasileiros. Nascia o Brazilian Times (BT).
Com sede em Somerville, estado de Massachusetts, o Brazilian Times é o maior e mais antigo jornal brasileiro em atividade nos Estados Unidos. Com tiragem de 16 mil exemplares, é distribuído gratuitamente em cinco estados às segundas, quartas e sextas, em mais de 200 lojas de produtos brasileiros. Às sextas, também circula uma edição especial em Nova York, voltada para a comunidade da região, que inclui Pensilvânia e New Jersey.
Crédito:Arquivo Pessoal Luciano Sodré, editor-assistente do Brazilian Times, dos EUA

Autor do livro “Fronteiras”, que conta 80 histórias de imigração – algumas envolvendo casos de estupro e abandono, Luciano Sodré, editor-assistente nascido no Rio de Grande do Sul e há 10 anos nos EUA, é responsável pela equipe de 15 jornalistas na redação – ao todo, são 38 funcionários na empresa. Além dosso, assina o blog mais acessado na categoria “blog brasileiro jornalístico no exterior” e foi o vencedor de dois Brazilian International Press Award.

Confira entrevista com Luciano Sodré, editor-assistente do Brazilian Times :

IMPRENSA - Quando o Brazilian Times foi criado ainda não havia internet em larga escala. O que mudou desde então? Luciano Sodré - Na época que foi criado ele era montado milimetricamente. As fotos não eram digitais, eram numeradas. O Brazilian Times cresceu e ganhou respeito porque zela pela notícia comunitária. Quando o jornal foi criado era o único veículo que tinha para a comunidade [brasileira].

Qual é a editoria mais lida? A de imigração. O que ele quer saber é como está a imigração, se algum brasileiro foi preso, se tem alguma festa ou evento para brasileiro. Para a apuração temos contatos com as polícias locais, informantes brasileiros dentro da polícia, que trabalham lá e estão sempre nos informando.

Tem algum conteúdo exclusivo para edição de Nova York? Nesta área nós trabalhamos mais com colunismo social, que é o que o pessoal da região mais gosta. Se vem algum artista, nós sempre temos área VIP nos camarotes em qualquer evento para brasileiro, porque o jornal é bem respeitado, então somos convidados para mandar repórter, fotógrafo ou colunista.

Crédito:Divulgação Primeira página da edição do dia 24 de julho de 2013

Quem são os principais anunciantes? Cartomante tem bastante, acho que devido à carência do mineiro, que está longe da família, aí ele se torna mais vulnerável para este tipo de coisa, e essas pessoas se aproveitam, né? Mas quem mais anuncia são advogados de imigração, dentistas e empresas de envio de caixas para o Brasil.

Dentistas? Dentista porque o brasileiro daqui sofre muito com problemas dentais, apesar de ser caro, os consultórios contratam um brasileiro para trabalhar e depois querem divulgar isso em algum veículo de comunicação que lá tem um dentista que fala português – porque tem muito brasileiro que não fala inglês. Cirurgia plástica também anuncia bastante, as brasileiras gostam de ficar bonita, se cuidam muito e gastam muito.

Tem resumo de novela? Tem, é um rapaz que coleta informações para a gente e também recebemos da assessoria do Globo.com. A Globo e a Record Internacional anunciam de vez em quando para os leitores fazerem assinatura.

O jornal é vendido ou distribuído? O Brazilian Times vive só de anunciante. Ele já foi vendido uma época, mas há cerca de oito anos é distribuído gratuitamente nas lojas brasileiras. São mais de 200 pontos – todos estabelecimentos brasileiros ou de produtos brasileiros para a comunidade brasileira. Temos mais de mil lojas brasileiras nos EUA, com comidas, roupas.

Vocês têm muito retorno dos leitores? Recebemos muitos e-mails, tanto que um e-mail do jornal tivemos que cancelar, porque não conseguíamos responder, então tivemos que abrir outro. Só no meu recebo cerca de mil mensagens por dia. São pessoas procurando parentes, e-mail do Brasil de gente procurando irmão, tio, que às vezes foi preso e ninguém fica sabendo, porque tem brasileiro em cada canto desse país, não é só nos grandes centros. É gente pedindo ajuda, um advogado bom para indicar, porque desses três milhões de brasileiros, mais da metade está ilegal.