Brasileiros lançam ferramenta de microfinanciamento para o jornalismo

O “Libre” é uma nova tecnologia de microfinanciamento para jornalismo digital, que pretende ajudar veículos brasileiros a solucionar o problema de sustentabilidade financeira.

Atualizado em 28/09/2017 às 12:09, por Redação Portal IMPRENSA.

A ferramenta usa um mecanismo similar ao das curtidas e compartilhamentos das redes sociais, mas propõe a transformação destas manifestações de apreço pelo conteúdo em apoio financeiro para os veículos e para os jornalistas. A informação é do Knight Center for Journalism in the Americas. Crédito:Canva Segundo Ariel Kogan, da Open Knowledge Brasil, e Thiago Rondon, da AppCivico, responsáveis pelo Libre, o “número de cliques e repercussão nas redes se tornaram, perigosamente, sinônimo de sucesso”, disseram ao site.
“Embora likes e compartilhamentos determinem essa nova relevância, eles não criam uma relação direta entre audiência e retorno financeiro. A ideia é oferecer uma nova métrica, uma ponte que permita um pequeno e direto reconhecimento econômico aos conteúdos que o público determina como os que têm mais valor”, explicaram.
Nas páginas editoriais, aparece um botão da ferramenta convidados os leitores a clicar. Ao invés de compartilhar a notícia, o leitor faz uma doação ao Libre. Para isso, é preciso se cadastrar na plataforma. O Libre oferece planos mensais pré-pagos, que vão de R$ 20 a R$ 500 por mês.
“Acreditamos que o “Libre” oferece uma solução especialmente simples e direta para testar o público e a relevância atribuída a seu conteúdo. E um tipo de interface intuitiva e familiar nesse ambiente de timeline e consumo de informação post a post”, disseram os criadores da tecnologia.
Torturra, Kogan e Rondon disseram que a expectativa inicial com o Libre é “testar a hipótese fundamental da plataforma: a de que existe um público interessado em jornalismo de qualidade e que se dispõe a participar da criação de uma nova viabilidade econômica para a imprensa”. A segunda “é criar entre os veículos e jornalistas digitais um sentido de campo, de comunidade através de soluções econômicas compartilhadas”, assim como “aproximar público e veículos em uma relação de apoio e confiança mútua”.
O alvo da plataforma são os novos coletivos de notícias, geralmente independentes e oriundos do ambiente digital, que não querem associar suas produções jornalísticas à ações publicitárias.
“Crowdfunding funciona bem para projetos específicos, mas não para o sustento mensal. Assinaturas demandam uma base ampla, fiel e uma produção de conteúdo alta. Paywall restringe o impacto do jornalismo e só funciona para veículos com muita solidez e volume”, acreditam. “Não queremos que nenhum veículo mude seus planos de negócio ou tenha o “Libre” como única fonte de receita. Mas pode ser uma ferramenta complementar e muito útil para gerar mais receita e uma relação mais direta e tangível com o público”, afirmam os criadores.
Saiba mais: