Bota a camisinha na comunicação corporativa

Bota a camisinha na comunicação corporativa

Atualizado em 11/02/2010 às 14:02, por Lucia Faria.

Enche muito a paciência ser politicamente correto o tempo inteiro. Tem horas que a gente fica com vontade de chutar o balde e dar nomes a uma boiada inteira. No entanto, há regras de boas maneiras que meus pais e a vida me ensinaram. Mas também não queria ser corporativista e ficar defendendo minha categoria. Tem horas que não dá.
Isso tudo porque acabo de receber um release muito curioso, para dizer o mínimo. De cara, a assessora diz que "está passando por aqui" para contar algo inédito que acontecerá no Carnaval no meio da comunicação corporativa do Rio de Janeiro. O texto começa dizendo que o meu colega, "profissional de comunicação corporativa moderninho" (sim, está assim mesmo!!), distribuirá camisinhas com o slogan "Esbanjando nos resultados, mandando ver no carnaval". Ele comprou mais de mil unidades com essa finalidade. "O sabor? É segredo", está lá no release.
Na sequência, aspas com o ponto de vista do empreendedor:
"O que o meio de comunicação corporativa precisa hoje é de inovação, ousadia, abrindo portas não apenas junto aos clientes dos nossos clientes, mas também entre as agências e seus parceiros", afirma.
"Na matéria de Teoria da Comunicação, obrigatória nos cursos de Jornalismo, aprendemos que a comunicação existe apenas quando nosso discruso (sic) é interpretado pelo nosso alvo, e muitos integrantes do mercado tem (sic) aplicado fórmulas completamente avessas a esse conceito, com ações chatas, pouco atraentes".
"Precisamos democratizar essa relação entre emissor e receptor de formas cada vez mais despojadas, afinal de contas, estamos na era do entretenimento. Quem não explora essas possibilidades está fadado a morrer", finaliza.
Até aí tudo bem, concordo. Mas só não entendi de que forma essa ação está relacionada com o discurso. E por que isso o coloca como um profissional "moderninho"? O que tem a ver esbanjar resultados e mandar ver no Carnaval? Eu não entendi nada. E olha que meu último artigo, neste mesmo espaço, fala exatamente da reclamação de um empreendedor sobre a mesmice dos textos e da abordagem dos profissionais de comunicação. Desculpe, colega, mas eu não sou tão moderninha assim. Estou tentando chegar lá, mas tenho um longo caminho pela frente.