Bolsonaro usa discurso falacioso ao acusar imprensa de retaliação
Em meio à crise ocasionada pela notícia dada no fim do carnaval (em primeira mão pela jornalista Vera Magalhães) de que Bolsonaro havia compartilhado vídeo de apoio a ato considerado anti-Congresso e anti-STF (marcado para 15 de março), o presidente transmitiu vídeo em suas mídias sociais nesta quinta (27) repisando o falso discurso de que a imprensa está atacando seu governo em retaliação à diminuição de verbas publicitárias federais.
Atualizado em 28/02/2020 às 11:02, por
Redação Portal IMPRENSA.
Demonstrando uma vez mais que quer jogar a população contra os jornalistas, e assim blindar seus atos da necessária fiscalização dos veículos de comunicação, Bolsonaro disse que não vai renunciar ao mandato - como se isso estivesse em pauta - e que não vai "dar dinheiro para a imprensa".
No rol de argumentos desconectados da realidade, ainda afirmou que o anunciante da Folha está "ajudando o Brasil a afundar", repetindo discurso intimidador já usado em outras ocasiões contra anunciantes do jornal.
Crédito: Reprodução Bolsonaro vai pedir na Fiesp para que empresários de São Paulo não anunciem na Folha e na Época
"Eles só querem o tempo todo me derrotar. Falam até em impeachment", disse o presidente sobre a Folha, acrescentando que terá uma reunião em breve na Fiesp, ocasião em que pedirá para os empresários de São Paulo não anunciarem na Folha e na revista Época.
O presidente também ensaiou um elogio à CNN Brasil, insinuando que seus ministros poderão dar entrevistas na nova emissora, ao contrário do que aconteceria hoje na Globo.
Bolsonaro não comentou, porém, o que disseram juristas acerca do fato noticiado por Vera Magalhães, que ocasionou sua nova onda de ataques à imprensa.
Para ficar num único exemplo, o ministro do STF Celso de Mello afirmou à imprensa que, se confirmado o compartilhamento pelo presidente do vídeo com teor anti-Congresso e anti-STF, fica demonstrada “visão indigna de quem não está à altura do altíssimo cargo que exerce”, além de "desapreço" e "inaceitável degradação do princípio democrático”.
Ainda de acordo com o ministro, se confirmado o teor do vídeo e seu compartilhamento pelo presidente, o episódio deixa claro que Bolsonaro “desconhece o valor da ordem constitucional” e “ignora o sentido fundamental da separação de poderes”.





