Bodegas Vivas / Por Mário Gerson - UERN (RN)
Bodegas Vivas / Por Mário Gerson - UERN (RN)
Atualizado em 28/07/2005 às 10:07, por
Mário Gerson e estudante de jornalismo da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.
Por As bodegas em Mossoró ainda não estão com o fim decretado. Apesar da grande quantidade de supermercados, mercadinhos e mini-box espalhados pela cidade, ela ainda possui bodegas tradicionais que fazem história.
As pequenas vendas, mais conhecidas como Bodegas, vem da tradição portuguesa da taberna ou taverna, onde se vendia de tudo, do vinho ao pão, da carne seca ao bacalhau. Hoje, as bodegas estão cada vez mais escassas. Num estilo mais arrojado que as portuguesas, ainda podemos encontrá-las nos bairros periféricos da cidade. Uma delas está situada à Avenida Alberto Maranhão, no bairro Bom Jardim. Chinelas dependuradas, verduras, jerimuns, cocos, elástico para roupas, cadernos, sardinhas, giletes, agulhas, mortadela... de tudo se pode encontrar nessas vendas. A de "Seu Sérgio" Dantas Jales, na Alberto Maranhão, pode ser considerada uma das mais antigas da cidade. Segundo ele, há 54 anos ele possui esse tipo de comércio, iniciado em Messias Targino. "Somente de Alberto Maranhão tenho 34 anos", relata. Fregueses antigos também são um dos pontos fortes das bodegas. Comprando em uma simples caderneta, mensalmente o freguês paga a dívida ali descrita, "sem juros nem nada". Segundo Sérgio, muitas vezes ele atende às pessoas ainda com as portas do estabelecimento fechadas. "Os grandes supermercados não fazem isso", diz.
Mas antes de vender a alguém, existe a confirmação se o "indivíduo é bom pagador mesmo". Tem de se conhecer antes o perfil. "Não posso dar uma caderneta assim de uma hora pra outra, não", conta o comerciante.
Uma das reclamações dos donos de bodegas na cidade é com relação à concorrência desleal das grandes redes de supermercados que existem hoje em Mossoró. Segundo Sérgio, a compra de produtos mais baratos por parte dessas empresas, acaba muitas vezes prejudicando o negócio dos "bodegueiros". De acordo com ele, hoje o brasileiro busca mais aquele centavo deixado para trás há alguns anos. "Por dois ou três centavos, hoje o cliente espera. Antigamente, não se fazia conta por tão pouco. Isso talvez seja uma característica dos tempos modernos", relata Sérgio, ao despachar uma cliente. Na antiga caderneta é anotado tudo o que é vendido ao cliente, inclusive a quantidade, para se ter certeza da soma feita e refeita ao fim do mês.
Com 74 anos, Sérgio Dantas Jales diz que a bodega ainda é um dos grandes comércios da cidade. "Apesar da concorrência dos supermercados, ela (a bodega) ainda vai perdurar por muito tempo, porque temos mais afinidade com o cliente e o conhecemos há muitos anos. Tenho clientes aqui de mais de 20 anos", conta.
Fidelidade, comodidade, tudo num único lugar, são pontos enfatizados pelo comerciante. Na mesma rua, existe outra bodega pertencente, hoje, aos familiares de Maria Rodrigues da Costa, falecida há oito meses. Era uma das bodegas mais tradicionais da rua. "Ainda hoje nós continuamos com o comércio", relata Eduardo Rodrigues. De acordo com ele, a avô relatou parte da vida em um livro publicado pela Coleção Mossoroense, "Memória de uma Sertaneja Cearense".
BODEGAS TRADICIONAIS - O escritor Obery Rodrigues relata que com o aparecimento dos supermercados, praticamente desapareceram as velhas bodegas. Em lugar destas, surgiram as mercearias ou mercadinhos. Antigamente era nas bodegas que as famílias de abasteciam.
De acordo com ele, a primeira que ele conheceu em Mossoró foi a de João Caetano, famoso por suas esquisitices, merecendo referência do historiador Raimundo Nonato da Silva. Situada na esquina da antiga Rua do Rosário, depois João Pessoa e atual Mário Negócio, com a Ferreira Itajubá. Era uma espécie de "posta-restante" do Correio. Pessoas residentes em Porto de Santo Antônio, Cajazeiras, Barrocas e imediações davam aos seus familiares residentes noutras cidades o seu endereço e lá apanhavam qualquer correspondência. "Dizia-se que quando fechou a bodega ainda existiam muitas cartas não procuradas. Certa vez, alguém deixou uma garrafa de leite, guardada até que resolvesse um negócio: ficou lá, no mesmo lugar, por muitos anos". Várias outras histórias curiosas a respeito de sua personalidade exótica, foram relatadas durante os anos. Lá se vendia feijão, arroz, açúcar branco, açúcar preto, rapadura, bolachas, doce de goiaba e de banana em lata, fósforo, querosene, sabão, café moído, fubá de milho.
Outras bodegas: de Saturnino, esquina da Almeida Castro com o Beco do Pau Não Cessa, atualmente Almino Afonso. Segundo Marques, Elias Morais e Si Pedro, na Praça Souza Machado.
As pequenas vendas, mais conhecidas como Bodegas, vem da tradição portuguesa da taberna ou taverna, onde se vendia de tudo, do vinho ao pão, da carne seca ao bacalhau. Hoje, as bodegas estão cada vez mais escassas. Num estilo mais arrojado que as portuguesas, ainda podemos encontrá-las nos bairros periféricos da cidade. Uma delas está situada à Avenida Alberto Maranhão, no bairro Bom Jardim. Chinelas dependuradas, verduras, jerimuns, cocos, elástico para roupas, cadernos, sardinhas, giletes, agulhas, mortadela... de tudo se pode encontrar nessas vendas. A de "Seu Sérgio" Dantas Jales, na Alberto Maranhão, pode ser considerada uma das mais antigas da cidade. Segundo ele, há 54 anos ele possui esse tipo de comércio, iniciado em Messias Targino. "Somente de Alberto Maranhão tenho 34 anos", relata. Fregueses antigos também são um dos pontos fortes das bodegas. Comprando em uma simples caderneta, mensalmente o freguês paga a dívida ali descrita, "sem juros nem nada". Segundo Sérgio, muitas vezes ele atende às pessoas ainda com as portas do estabelecimento fechadas. "Os grandes supermercados não fazem isso", diz.
Mas antes de vender a alguém, existe a confirmação se o "indivíduo é bom pagador mesmo". Tem de se conhecer antes o perfil. "Não posso dar uma caderneta assim de uma hora pra outra, não", conta o comerciante.
Uma das reclamações dos donos de bodegas na cidade é com relação à concorrência desleal das grandes redes de supermercados que existem hoje em Mossoró. Segundo Sérgio, a compra de produtos mais baratos por parte dessas empresas, acaba muitas vezes prejudicando o negócio dos "bodegueiros". De acordo com ele, hoje o brasileiro busca mais aquele centavo deixado para trás há alguns anos. "Por dois ou três centavos, hoje o cliente espera. Antigamente, não se fazia conta por tão pouco. Isso talvez seja uma característica dos tempos modernos", relata Sérgio, ao despachar uma cliente. Na antiga caderneta é anotado tudo o que é vendido ao cliente, inclusive a quantidade, para se ter certeza da soma feita e refeita ao fim do mês.
Com 74 anos, Sérgio Dantas Jales diz que a bodega ainda é um dos grandes comércios da cidade. "Apesar da concorrência dos supermercados, ela (a bodega) ainda vai perdurar por muito tempo, porque temos mais afinidade com o cliente e o conhecemos há muitos anos. Tenho clientes aqui de mais de 20 anos", conta.
Fidelidade, comodidade, tudo num único lugar, são pontos enfatizados pelo comerciante. Na mesma rua, existe outra bodega pertencente, hoje, aos familiares de Maria Rodrigues da Costa, falecida há oito meses. Era uma das bodegas mais tradicionais da rua. "Ainda hoje nós continuamos com o comércio", relata Eduardo Rodrigues. De acordo com ele, a avô relatou parte da vida em um livro publicado pela Coleção Mossoroense, "Memória de uma Sertaneja Cearense".
BODEGAS TRADICIONAIS - O escritor Obery Rodrigues relata que com o aparecimento dos supermercados, praticamente desapareceram as velhas bodegas. Em lugar destas, surgiram as mercearias ou mercadinhos. Antigamente era nas bodegas que as famílias de abasteciam.
De acordo com ele, a primeira que ele conheceu em Mossoró foi a de João Caetano, famoso por suas esquisitices, merecendo referência do historiador Raimundo Nonato da Silva. Situada na esquina da antiga Rua do Rosário, depois João Pessoa e atual Mário Negócio, com a Ferreira Itajubá. Era uma espécie de "posta-restante" do Correio. Pessoas residentes em Porto de Santo Antônio, Cajazeiras, Barrocas e imediações davam aos seus familiares residentes noutras cidades o seu endereço e lá apanhavam qualquer correspondência. "Dizia-se que quando fechou a bodega ainda existiam muitas cartas não procuradas. Certa vez, alguém deixou uma garrafa de leite, guardada até que resolvesse um negócio: ficou lá, no mesmo lugar, por muitos anos". Várias outras histórias curiosas a respeito de sua personalidade exótica, foram relatadas durante os anos. Lá se vendia feijão, arroz, açúcar branco, açúcar preto, rapadura, bolachas, doce de goiaba e de banana em lata, fósforo, querosene, sabão, café moído, fubá de milho.
Outras bodegas: de Saturnino, esquina da Almeida Castro com o Beco do Pau Não Cessa, atualmente Almino Afonso. Segundo Marques, Elias Morais e Si Pedro, na Praça Souza Machado.






