“Boas pautas não caem do céu”, afirma Marcos Losekann, repórter especial da TV Globo

O último painel desta segunda-feira (17/11) da 3ª edição do mídia.JOR, realizado por IMPRENSA, em São Paulo, contou com a participação do jornalista Marcos Losekann (TV Globo), sendo entrevistado por Mariana Kotscho (TV Brasil).

Atualizado em 18/11/2014 às 09:11, por Gabriela Ferigato.

(17/11) da 3ª edição do mídia.JOR, realizado por IMPRENSA, em São Paulo, contou com a participação do jornalista Marcos Losekann (TV Globo), sendo entrevistado por Mariana Kotscho (TV Brasil).

Crédito:Jéssica Oliveira Marcos Losekann foi entrevistado por Mariana Kotscho
Em “Grandes entrevistas – Grandes reportagens ao redor do mundo”, Losekann conta que, literalmente, “tropeçou” no jornalismo. Ainda estudante de direito, certa noite foi em uma pizzaria com seus colegas de faculdade e, no local, um sujeito caiu em consequência de um mal súbito e ele o ajudou. Essa pessoa era chefe de uma emissora local e o convidou para conhecer o veículo. "Picado" pela profissão, completou o curso de direito, mas acabou se dedicando à vida de repórter.

Quando começou na carreira, o repórter disse que vivia “muito bem” sem toda a tecnologia que existe hoje e afimar que a internet provoca novas situações, fazendo com que nas redes sociais muitas pessoas se tornem jornalistas.

Sobre a busca de boas pautas, Losekann afirma que elas não caem do céu. Ele ressalta a importância da assessoria de imprensa para o jornalismo, embora uma informação passada por esta fonte estará na mão de todas as pessoas. O que muda é como da profissional encara esse conteúdo.

“O segredo é como cada um vai contar. Você tem que sacar a pauta e ir até ela. Dá para ser criativo”, destaca. Como exemplo, Losekann se lembra de uma reportagem feita para a Globo, há aproximadamente 25 anos, de um avião de garimpeiros que caiu em Roraima.

Pelo helicóptero da emissora não dava para saber o que - de fato - estava acontecendo, então, mesmo desafiando orientações, a equipe entrou na floresta até chegar onde o avião havia caído. Foram três dias de caminhada na ida e dois dias na volta. Ao chegar, viram buracos de bala no avião e foi comprovada a teoria de que ele havia sido atacado.
“Mudamos a história daquele fato. Considero praticamente um antes e depois do jornalismo no Brasil. A reportagem foi feita em um momento que ainda se estava descobrindo o papel da televisão”, destaca.

O jornalista cobriu cinco guerras in loco. Porém, contrariando o “sonho” de muitos estudantes que desejam cobrir conflitos armadas, ele diz que não tem boas lembranças. “A guerra tem cheiro de sangue, de pólvora. Não dá resultado. Não tem vencedor. É muito chato cobrir guerra. Aí passei a sonhar em ser correspondente da paz”. Sobre isenção nessas reportagens, o repórter conclui que é difícil ter um equilíbrio durante toda a cobertura.