Blogueiro fica seis anos sem acessar internet e diz que rede virou "refém" do Facebook

Blogueiro permaneceu preso por seis anos e sem acessar a internet

Atualizado em 21/09/2015 às 11:09, por Redação Portal IMPRENSA.

O iraniano Hossein Derakhshan, 40, ficou seis anos sem acessar a internet — entre 2008 e 2014 — após ficar preso por liderar um movimento contra a censura em seu país. Ao ser libertado em novembro do ano passado, ele se sentiu em um mundo digital completamente diferente ao que conhecia.
Crédito:Wikimedia commons Blogueiro acha que internet está refém do Facebook
"Seis anos é muito tempo para estar atrás das grades, mas é uma era inteira em termos on­line", escreveu no texto "The Web We Have to Save" ("A internet que temos de salvar", em tradução livre), publicado na plataforma Medium em julho de 2015. O artigo reverberou, gerando debate sobre a produção de conteúdos na rede.
O artigo critica a força das das redes sociais, dando ênfase ao Facebook, na cultura da internet. Na época em que o blogueiro foi preso, o site de relacionamento de Mark Zuckerberg contava com cerca de 100 milhões de usuários. Atualmente, o número é próximo a 1,5 bilhão.
Segundo Derakhshan em entrevista concedida à Folha de S.Paulo , hoje os internautas encontram informações baseados em determinados algoritmos das redes sociais, o que era diferente do passado, quando se buscavam links de páginas fazendo ligações com outras.
O blogueiro concluiu que para conseguir ser notado virtualmente, o indivíduo deve ter uma conta no Facebook. Derakhshan chegou a publicar um texto no Facebook, mas só conseguiu três curtidas.
Ao terminar sua pena, o blogueiro iraniano encontrou a internet muito parecida à televisão, com vídeos em grande circulação e menos apoiada nos princípios originais de sua criação. "Não são os blogs que estão morrendo, mas sim toda a internet que foi construída na ideia dos hiperlinks. As informações abertas estão mais raras. E isso é uma ameaça muito séria", disse.
Derakhshan pensa com cuidado quando o assunto é aplicativo móvel. Para ele, os apps e as mídias sociais estão matando o hiperlink e, por tabela, a web, sendo uma ameaça muito séria, já que o Facebook está gradativamente dominando a internet e superando o Google.
O iraniano ainda defende que todo mundo poderia chegar à mesma conclusão que ele, mas acredita que seu distanciamento da web o faz demonstrar com maior clareza esses detalhes.


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