"Blogs permitem muitas distorções por serem completamente livres", diz Ethevaldo Siqueira, sobre a informação na era digital

"Blogs permitem muitas distorções por serem completamente livres", diz Ethevaldo Siqueira, sobre a informação na era digital

Atualizado em 23/08/2007 às 13:08, por Nathália Duarte/Redação Portal IMPRENSA.

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Na era das TVs e Rádios digitais e da convergência de mídias, em um momento em que tudo acontece simultaneamente e qualquer plataforma pode se transformar em uma mídia eficiente e perigosa, nada mais pertinente do que discutir as novas tendências e a evolução do trabalho nas redações à luz do paradoxo da interatividade.

Jornalista especializado em tecnologia da informação há 39 anos, Ethevaldo Siqueira reafirma que, nos últimos anos, a influência da internet sobre os meios de comunicação cresceu significativamente e tornou as informações cada vez mais universalizadas. O contraponto, porém, é a alta vulnerabilidade do conteúdo disponível online. "A tecnologia na comunicação, a era digital e a internet permitiram uma explosão no número de blogs. Se por um lado esse 'meio' exerce uma função jornalística - nem tanto informativa, mas opinativa -, ele permite muitas distorções porque é completamente livre".

Na opinião de Siqueira, o primeiro passo para amenizar o efeito das "armadilhas" a que estão sujeitos os usuários da internet é a educação. "É preciso preparar internautas alertas e críticos para lidar com as informações veiculadas na rede. E investir no usuário é um trabalho dos próprios veículos impressos", afirma, ao destacar que não acredita no fim dos jornais impressos, mas sim em uma reformulação de foco e conteúdo. "O jornal impresso deve sobreviver, mas como uma comunicação de nicho, especialmente voltado à interpretação, análise, tendências e opiniões, conteúdo que dará profundidade às notícias da internet - mais parecido com o papel de reflexão exercido pelos blogs, que inclusive vão continuar existindo. O caminho para chegarmos a isso será o mais doloroso: quando o informativo não encontrar mais espaço, ou ele muda, ou ele morre, e ele vai acabar mudando".

Sobre o surgimento das polêmicas comunidades virtuais, o jornalista acredita que a função colaborativa destes espaços só será favorecida se os usuários contribuírem com sua cultura e informações verdadeiras. Ainda assim, Siqueira considera que o impacto de fenômenos como o Second Life ainda é muito pequeno em países como o Brasil. "Apenas 15% dos brasileiros tem acesso à internet com banda larga, e essa é uma condição fundamental para se ter um avatar no 'mundo virtual'. Além disso, não é uma boa forma de fazer publicidade. Acredito, porém, que se for usado de maneira inteligente, um espaço como o Second Life pode ser um ambiente de troca de idéias sobre desafios e novos projetos que ainda não foram implantados no mundo real", completa.

E em um cenário multimidiático e repleto de tantos desafios ainda desconhecidos, Siqueira aconselha aos profissionais de mídia que pretendem permanecer antenados adotar equipamentos que favoreçam a convergência de celulares e computadores, sem esquecer de adquirir softwares que devem aposentar o teclado e transcrever gravações de áudio. "A BBC de Londres, ainda em fase de testes, está desenvolvendo um aparelho que une o aparelho celular a câmeras de foto e vídeo em alta resolução, o que facilita a comunicação direta e instantânea entre o fato e o veículo. O uso do GPS também será uma tendência até por uma questão de logística. O jornalista vai evitar se perder em seu trabalho e a empresa poderá localizar seu funcionário."

Um dos fundadores da Revista Nacional das Telecomunicações e ganhador de dois Prêmios Esso na categoria Informação Científica, Ethevaldo Siqueira estará presente no II Seminário Internacional Imprensa Multimídia, realizado em Porto Alegre (RS.

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