Black Lives Matter mexe com a cobertura da pauta do racismo nos EUA
Redações de grandes jornais como o The New York Times são atingidos em suas políticas editoriais pelos protestos contra o racismo.
Atualizado em 09/06/2020 às 08:06, por
Sinval de Itacarambi Leão e editor Portal IMPRENSA.
No dia 3 de junho, o The New York Times publicou um artigo, em sua página de editoriais, do senador republicano pelo estado do Arkansas Tom Cotton, estimulando Donald Trump a “enviar tropas para restaurar a ordem” frente aos protestos de centenas de milhares de jovens americanos em cidades após o assassinato de Georges Floyd, um segurança negro, preso e sob a custódia da polícia de Minneapolis. A reação da redação foi furiosa.
James Bennet, diretor de opinião e editoriais do jornal, teve de dar explicações para o dono e publisher do NYT. No dia seguinte, A. G. Sulzberg convocou reunião, em que juntamente com Bennet e Dean Backer, diretor executivo do jornal, decidiram que Bennet não tinha mais condição de continuar no cargo. Conservador e jornalista ortodoxo, tinha agregado valor à publicação pela dureza como agia, mas admitiu que fracassara e que a seção de opinião saia “carimbada pela reciclagem do noticiário”. Crédito: Reprodução O caso Bennet imediatamente teve efeito cascata. Jornalistas de todo o país, durante os protestos, urgiram com seus chefes, às vezes publicamente, no sentido de repensar o jornalismo, principalmente nas coberturas políticas. Interessante foi preocupação de Sulzberg, nesse ponto de inflexão, em advertir Ben Smith, o colunista de mídia do jornal, um cargo criado para substituir o antigo ombudsman, de que ele não interpretasse a saída de Bennet como uma mudança “filosófica”, seja lá o que isso signifique. Já prenunciava que logo virão mudanças.
No Philadelphia Inquirer, dias depois, em 6 de junho, Stan Wischnowski, editor-chefe, teve de se demitir por conta de uma manchete provocativa “Edifícios também importam”, em que abria uma matéria sobre a ação de policiais nos protestos. A redação usou a expressão “sick and tired” (enfermos e cansados) para descrever seu estado de espirito e exigir mudança na cobertura na pauta racial. Crédito: Reprodução Nesse fim de semana, o Washington Post deixou escapar para os media watchers uma “agonia silenciosa” causada por questões de racismo e representatividade na redação. A conferir. Spoillers sempre antecipam fatos e narrativas.
Blue Lives Matter é um blog pró-polícia, atrelado à plataforma do Sport Illustrated, revista fundada junto com Times Magazine, por Henry Luce, em 1954, também causou nesse fim de semana. Hoje comprado pela Dayly Beas Maven Media, o blog foi descartado da empresa, após a redação exigir e aparentemente conseguir que a companhia rompesse a afiliação.
Semana que ficará na história do jornalismo americano.
James Bennet, diretor de opinião e editoriais do jornal, teve de dar explicações para o dono e publisher do NYT. No dia seguinte, A. G. Sulzberg convocou reunião, em que juntamente com Bennet e Dean Backer, diretor executivo do jornal, decidiram que Bennet não tinha mais condição de continuar no cargo. Conservador e jornalista ortodoxo, tinha agregado valor à publicação pela dureza como agia, mas admitiu que fracassara e que a seção de opinião saia “carimbada pela reciclagem do noticiário”. Crédito: Reprodução O caso Bennet imediatamente teve efeito cascata. Jornalistas de todo o país, durante os protestos, urgiram com seus chefes, às vezes publicamente, no sentido de repensar o jornalismo, principalmente nas coberturas políticas. Interessante foi preocupação de Sulzberg, nesse ponto de inflexão, em advertir Ben Smith, o colunista de mídia do jornal, um cargo criado para substituir o antigo ombudsman, de que ele não interpretasse a saída de Bennet como uma mudança “filosófica”, seja lá o que isso signifique. Já prenunciava que logo virão mudanças.
No Philadelphia Inquirer, dias depois, em 6 de junho, Stan Wischnowski, editor-chefe, teve de se demitir por conta de uma manchete provocativa “Edifícios também importam”, em que abria uma matéria sobre a ação de policiais nos protestos. A redação usou a expressão “sick and tired” (enfermos e cansados) para descrever seu estado de espirito e exigir mudança na cobertura na pauta racial. Crédito: Reprodução Nesse fim de semana, o Washington Post deixou escapar para os media watchers uma “agonia silenciosa” causada por questões de racismo e representatividade na redação. A conferir. Spoillers sempre antecipam fatos e narrativas.
Blue Lives Matter é um blog pró-polícia, atrelado à plataforma do Sport Illustrated, revista fundada junto com Times Magazine, por Henry Luce, em 1954, também causou nesse fim de semana. Hoje comprado pela Dayly Beas Maven Media, o blog foi descartado da empresa, após a redação exigir e aparentemente conseguir que a companhia rompesse a afiliação.
Semana que ficará na história do jornalismo americano.





