Bispo Macedo: fé, TV e política
Bispo Macedo: fé, TV e política
Usar a fé com inteligência. Esse sempre foi o lema do Bispo Edir Macedo. Desde os tempos que pregava sozinho em um coreto de praça no subúrbio carioca, o fundador da Universal tinha claro que fé e carisma não eram nada sem um meticuloso planejamento estratégico, político e empresarial. E que tudo passava pela comunicação. Começou com 15 minutos na programação da Rádio Metropolitana do Rio, onde atraía fiéis através do programa "Despertar da Fé". O próximo passo foi levar o programa para TV Tupi, comprar uma emissora de rádio e, finalmente, a Record.
Assim como nos negócios, Macedo soube administrar com inteligência a sua própria imagem. Em 1992, quando foi preso acusado de charlatanismo, estelionato e curandeirismo, percebeu que tinha inimigos demais em todas as esferas e submergiu. Sem apoio político e alvo da ira dos concorrentes, adotou a mesma estratégia de quando comprou a Record. Montou um núcleo duro para tocar os negócios e caiu no mundo para consolidar seu legado religioso. A fé, afinal, é a verdadeira alma do negócio. Há 14 meses Edir Macedo sentiu que, finalmente, a maré tinha virado a seu favor. Enfim, ele podia sair do casulo, mostrar a cara e "contar sua versão da história". Começou, assim, a dar depoimentos para sua biografia mais que autorizada.
Com sua emissora consolidada no segundo lugar da audiência, conquistou a simpatia dos (muitos) inimigos da Globo. Dessa forma, conseguiu atrair para sua área de influência jornalistas, colunistas, ativistas e boa parte da nossa barulhenta esquerda nativa. Ficou, ainda, amigo do presidente Lula e dos seus ministros mais poderosos. Sabe-se, por exemplo, que até hoje José Dirceu tem trânsito livre nos "gabinetes" da Record. A publicação do livro "O Bispo - a história revelada de Edir Macedo" não coincidiu por acaso com o lançamento do canal Record News. Dono de uma forte bancada no Congresso Nacional, de duas emissoras de TV, além de jornais e rádios espalhados por todo país, Macedo foi além de seus pares do patronato da comunicação. Montou um tripé de poder baseado em fé, televisão e política, no sentido literal da palavra. Além de cobrir o Congresso, tem o poder de movimentá-lo diretamente. Como em um tabuleiro de xadrez pode, por exemplo, emitir um comando capaz de decidir votações importantes em Plenário. Com tanto poder e munição, fica difícil saber onde o Bispo quer chegar. Suas opções são muitas.
Autor prodígio
Não foi fácil conseguir agendar uma entrevista com Douglas Tavolaro, autor do livro "O Bispo - a história revelada de Edir Macedo". Com apenas 30 anos de idade, o poderoso diretor nacional de jornalismo da Record tem aversão aos holofotes. Raramente fala com a imprensa e evita a todo custo ser filmado ou fotografado. É bem provável que o fato de ser discreto tenha pesado a seu favor na meteórica carreira na emissora da Igreja Universal.
Começou lá em 2002, como produtor do recém inaugurado núcleo de reportagens investigativas, depois de uma longa temporada na revista IstoÉ, seu primeiro emprego.
Como repórter da revista, chegou a ser capa, em 2001, quando foi feito refém pelos detentos do Carandiru. Os colegas da época mal reconhecem o "novo" Douglas.
Quando assumiu a vaga na Record, ele tinha acabado de fazer uma delicada operação de redução de estômago. Mudou muito desde então. Ficou magro, criou hábitos saudáveis, parou de comer porcaria fora de hora, passou a ganhar (muito) bem, ganhou um amplo gabinete para chamar de seu, casou e está esperando para breve a segunda filha. Mudou o homem, mudou sua forma interpretar a fé. Deixou de ser cético em relação à doutrina e aos métodos da Igreja Universal. Se antes tinha até uma ponta de preconceito, hoje fala com entusiasmo do "processo de crescimento religioso sem paralelos na história do Brasil". Erra, porém, quem acredita que o diretor de jornalismo se converteu em um fervoroso freqüentador de cultos.






