"Big Brother Brasil" é líder em reclamações no 17º ranking da baixaria na TV

"Big Brother Brasil" é líder em reclamações no 17º ranking da baixaria na TV

Atualizado em 06/05/2010 às 17:05, por Tetê Duche/Colaboração ao Portal IMPRENSA e  do Rio de Janeiro (RJ)*.

Por Nesta quinta-feira (6) a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM) divulgou o 17º ranking da baixaria na televisão brasileira. A campanha "Quem financia a baixaria é contra a cidadania" recebeu, entre agosto de 2009 e abril de 2010, 227 denúncias contra o reality show .
As reclamações eram sobre desrespeito à dignidade, apelo sexual, exposição de pessoas ao ridículo e nudez. Contra o reality show , ainda, constam reclamações contra atitudes homofóbicas e incitação à violência. Em segundo lugar ficou o programa "Pegadinhas Picantes", do SBT, com 105 reclamações; Em terceiro, o "Pânico na TV", da Rede TV! e na sequencia os regionais "Se liga Bocão", da TV Itapoan (Record) e "Bronca na TV", da TV Jornal (SBT).
A campanha "Quem financia baixaria, é contra a cidadania", surgiu em 2002 para promover o site da organização não governamental do mesmo nome, com o objetivo de alertar para o excesso de violações nos conteúdos dos programas. Adilson Cabral é pesquisador e integra a campanha pelo Rio de Janeiro. Ele conta que as críticas feitas por denúncias dos telespectadores são contra o excesso de violência física ou de exploração de imagem, exposição ao ridículo e os programas mais presentes são o "Zorra Total", os "BBBs", novelas, o "SuperPop", entre outros.
Um problema apontado por especialistas sobre os reality shows , é que a audiência desse tipo de programa tem aumentado entre as crianças. É o que destaca a jornalista Eula Cabral que atua em políticas públicas para a Comunicação e Novas Mídias. "O pior de tudo é que a audiência deste programa aumentou entre crianças de dez, onze anos de idade. Qual o fascínio que este jogo tem? Um grupo de jovens confinados em uma casa e obrigados a eliminar outro concorrente em troca de muita grana? Dinheiro este que pai nenhum ganha", diz.
Reprodução
Ranking da baixaria

Em suas primeiras edições o "BBB" foi classificado como impróprio para menores de 16, mas desde 2008, o Ministério da Justiça classifica o programa como impróprio para menores de 14 anos. Luís Erlanger, diretor de programação da Central Globo de Comunicação acha que punir os veículos de comunicação pelo papel que deveria ser dos pais, é a questão mais nefasta da classificação indicativa. "Desconhecemos essa pesquisa de faixa etária, mas não temos como controlar o que as crianças estão tendo acesso em casa. Isso vale para o "BBB", a internet, publicações impressas e etc. Nosso cuidado é zelar por um conteúdo compatível com a faixa etária. Se cumprimos esse papel, seríamos criticados pelo comportamento das famílias?" diz, rebatendo às críticas .
TV aberta reforça estereótipos erotizantes Para especialistas, a TV brasileira esqueceu de cumprir sua função social como concessão pública. A sensação é que a programação está apelativa demais. São mensagens e imagens com forte carga de sensualidade em programas infantis, novelas e de entretenimento.
No ano passado, a novela "Páginas da Vida", da Rede Globo, obteve na campanha "Quem financia baixaria, é contra a cidadania", 316 denúncias fundamentadas pelos telespectadores com reclamações sobre cenas de sexo, nudez, baixaria, apelo sexual e obscenidades.
"Embora relativamente controlada, a nudez na TV, tal como outros tabus, caracteriza-se por ser um limite a ser esgarçado pelas emissoras e produtoras, contando com a ausência de uma legislação mais firme com punições mais rigorosas e com a legitimação do público que ainda acolhe muito as transgressões e violações assumidas pelas emissoras", analisa Adilson Cabral.
A psicóloga Rachel Moreno, integrante da Campanha Ética na TV, participou ativamente do relatório final da , realizada de 14 a 17 de dezembro de 2009, e lamenta que seis entidades da área empresarial da comunicação da conferência. Na ocasião, inúmeras representações da sociedade civil aprovaram 672 propostas, muitas delas polêmicas como a proliferação da sensualidade na tv aberta que prejudica, em especial, as crianças que são as que mais tempo assistem à TV, numa escala comparativa.
"As mães se sentem mais seguras sabendo-as dentro de casa, frente à TV, do que na rua, por exemplo", adverte Rachel Moreno que conhece estatísticas que mostram que as crianças são as mais precocemente erotizadas do que crianças norte americanas ou europeias. "Não é uma simples coincidência. A televisão as bombardeia com mensagens e imagens erotizadas, mesmo em programas infantis, cuja apresentadora serve tanto ao paladar do...papai...quanto ao das crianças, que termina se acomodando, por falta de alternativas", avalia.
Vale lembrar que no relatório final da I Confecom foi aprovada a educação crítica para a mídia como matéria no currículo escolar. "Trata-se agora, de mobilizar pela implementação e efetivação dessa proposta aprovadas como também a proibição da propaganda dirigida a crianças até 12 anos, como aliás, algumas grandes empresas se propuseram a fazer no exterior", finaliza a psicóloga Rachel Moreno.
*Com colaboração de Ana Ignacio/Da Redação
Leia Mais