Bibliografia: a vez dos clássicos
Bibliografia: a vez dos clássicos
Ruy Barbosa (1919) e Barbosa Lima Sobrinho (1923) introduziram na historiografia da imprensa brasileira a discussão em torno da ética, legislação, os seus fundamentos e valores. O bacharel pernambucano que um dia presidiria por um longo período a Associação Brasileira de Imprensa, personagem marcante na campanha das Diretas Já e no Impeachement de Fernando Collor, publicava "O problema da imprensa" num momento de grave censura à mídia. O país vivenciava a ditadura de Arthur Bernardes, governando em regime de exceção (estado de sítio); a imprensa com a faca na jugular então vigorando a "Lei Infame" de Alfonso Gordo, recém aprovada para criminalizar jornais e jornalistas.
Durante a ditadura Vargas (1930-1945) ética e liberdade de imprensa são assuntos privados. A produção editorial daquele tempo apenas informa sobre a legislação e as suas nuances jurídicas, sem aprofundar a discussão em torno do direito de livre expressão. O Departamento de Imprensa e Propaganda-DIP, órgão oficial da repressão à mídia, edita: "Quem foi que disse? Quem foi que fez". Geminiano da França, por sua vez, lança em 1936 "A imprensa e a lei", enquanto Fernando de Barros Franco publica "Queixa crime. Delito de imprensa", três anos depois.
Rizzini e Helio Viana
No mesmo período são publicadas três obras sobre o jornalismo brasileiro, e o seu contexto no mundo: Em Buenos Aires Jaime de Barros edita (1942) "Evolución Del periodismo en El Brasil", Antônio Cícero lança (1938) "A imprensa ontem e hoje no Brasil, na América..." e Nóbrega da Cunha (1943) "A imprensa americana e seus reflexos no Brasil". Duas obras tratam especificamente do ensino do jornalismo: "Curso de Jornalismo" (1943) de Vitorino Prata Castelo Branco e "O ensino do jornalismo" de Carlos Rizzini.
O fim do governo Vargas coincide com o lançamento de livros que doravante seriam referência os pesquisadores da área, os chamados clássicos, com a publicação de "O livro, o jornal e a tipografia no Brasil" de Carlos Rizzini e "Contribuição à história da imprensa brasileira" de Hélio Viana, ambos editados em 1945. Na década de 50 Mecenas Dourado polemiza em torno do suposto suborno de Hipólito da Costa, colocando em evidência o personagem e abrindo a discussão, até hoje inconclusa, sobre o pioneirismo da imprensa brasileira. Mecenas publica "Hipólito da Costa e o Correio Braziliense" e no mesmo ano (1957) Rizzini nos brinda com um outro clássico de sua autoria com o mesmo título: "Hipólito da Costa e o Correio Braziliense".
Novos clássicos e teoria
Na década de 60 três novos clássicos são colocados no mercado editorial, todos lançados em 1967: "História da imprensa no Brasil" de Nelson Werneck Sodré, "Jornal, história e técnica" de Juarez Bahia, uma evolução de "Três faces da imprensa brasileira", editado em 1960 e "História da Comunicação" de Marcelo e Cybelle de Ipanema. Marcello estreara antes (1949) com "Legislação de imprensa", até hoje o mais completo registro sobre o assunto até a data de capa da edição. "
Ainda na década de 60 se inicia um movimento em torno de estudos sobre o jornalismo, liderado pelo professores José Marques de Melo e Luiz Beltrão. O primeiro faz (1968) a "Analise morfológica e de conteúdo de 10 jornais paulistanos", mais tarde (1971) publica "Comunicação, opinião e desenvolvimento", "Estudos de jornalismo comparado" (1972) e "Sociologia da imprensa brasileira" (1973). Luiz Beltrão por sua vez lança (1960) "Iniciação à filosofia do jornalismo", "A imprensa informativa" (1966), "Comunicação e literatura" (1972) e na década de 80 produz o clássico "Teoria geral da comunicação", e ainda, em parceria com Newton Quirino de Oliveira, "Subsídios para uma teoria da comunicação da massa".
A partir dos anos 80 a literatura de comunicação se multiplica, decorrência do processo de democratização do país e ainda pelo surgimento de novos cursos de comunicação e conseqüentemente a maior oferta de trabalhos acadêmicos; muitos deles convertidos em produção editorial. Novos temas são abordados como jornalismo especializado (ambiental, científico, cultural, econômico, esportivo, literário, político, religioso) comunicação empresarial e assessoria de imprensa, além de inúmeras obras com foco na didática, ensinando a fazer jornal, rádio ou televisão.






