Berzoini é indicado por petistas para tocar regulação da mídia em novo governo

Titular de Relações Institucionais, Berzoini pode ser alçado ao Ministério das Comunicações. PT quer agilizar projeto de regulação da mídia.

Atualizado em 29/10/2014 às 16:10, por Redação Portal IMPRENSA.

Atual titular da Secretaria de Relações Institucionais, o ministro Ricardo Berzoini poderá ser alçado ao Ministério das Comunicações no segundo mandato da presidente reeleita Dilma Rousseff. Seu nome foi indicado pelo Partido dos Trabalhadores para que otimize o processo de aprovação da regulação econômica da mídia. Hoje, ele faz uma ponte política entre o Planalto e o Congresso.
Crédito:Agência Brasil Ricardo Berzoini pode administrar regulação da mídia
Segundo a Folha de S.Paulo , o petista é considerado como um bom negociador e tal característica é vista pelos colegas de partido como positiva numa pasta que dá o suporte para a iniciativa. A ideia é uma das bandeiras do PT desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou o governo para eleger a sua sucessora. O projeto, no entanto, foi postergado pela gestão da atual presidente.
Durante o seu primeiro mandato, Dilma se recusou a tocar qualquer iniciativa que implicasse em controle de conteúdo – como já havia sido tentado sem sucesso durante o governo antecessor. Durante a campanha, porém, ela cedeu e admitiu discutir as diretrizes da proposta, que tem como foco a regionalização dos conteúdos e a proibição de monopólios e oligopólios na comunicação.
Na noite da última terça-feira (28/10), a petista voltou a falar sobre o assunto em entrevista ao SBT. Questionada pelo jornalista Kennedy Alencar, a presidente reeleita reafirmou que não irá interferir na liberdade de expressão; sua biografia, conforme conta, mostra que não tomaria tal atitude. Sobre a parte econômica, declarou que o setor tem que “ter regulações”, mas não explicou quais seriam.
Indagada se mandará ao Congresso algum projeto nesse sentido, ela respondeu: "vamos discutir bastante antes de fazê-lo". A situação difere da entrevista do atual ministro Paulo Bernardo, responsável pelas Comunicações. Em junho, ele disse que o projeto não seria o controle de conteúdo nem a proibição de um mesmo grupo econômico ter emissoras de TV, rádio e jornal, a chamada propriedade cruzada.
O último tópico, por exemplo, é alvo de críticas do partido, que segue pressionando para uma medida nesse sentido. Ainda no primeiro turno, o PT incluiu o tema no programa parcial de sua candidata, mas Dilma logo mandou excluí-lo na redação final. Na antevéspera do segundo turno, porém, a campanha petista obteve direito de resposta contra a Veja sobre uma reportagem.
Apesar de o partido ter esperança, a eventual ida do ministro Ricardo Berzoini para a pasta das Comunicações não significaria que a proposta siga adiante. Não há uma data definida para que isso ocorra. Nem mesmo assessores do governo sabem com certeza se a presidente reeleita está, de fato, disposta a tocar essa agenda agora. Caso mude de ministério, Jaques Wagner assumiria as Relações Institucionais.