BC desmente "matérias na imprensa" sobre taxa de juros

BC desmente "matérias na imprensa" sobre taxa de juros

Atualizado em 20/08/2010 às 16:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (20), o Banco Central afirmou que as opiniões da instituição são publicadas exclusivamente por meio dos documentos em sua página na Internet, palestras ou declarações de seu presidente e diretores.

O "esclarecimento", segundo o BC, ocorre devido a "matérias recentemente publicadas pela imprensa", sem especificar quais. A nota, publicada no site da instituição, vem após dias de informações desencontradas sobre a avaliação do Banco Central do atual cenário econômico.

"A partir de agora, as palestras e declarações do presidente e dos diretores do Banco Central serão reproduzidas integralmente no sítio da Instituição", afirmou a autoridade monetária.

Nesta quinta, o jornal Valor Econômico publicou matéria de capa afirmando que avaliações internas do BC indicam a manutenção da taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O texto do jornal cita "dirigentes" do Banco Central.

Declarações do presidente do BC, Henrique Meirelles, na segunda-feira, em Minas Gerais, fizeram parte do mercado prever o fim do ciclo de aperto monetário. Porém, em entrevista na quarta-feira, Meirelles ponderou sobre uma aceleração da atividade econômica no terceiro trimestre, provocando a alta dos juros futuros em parte do pregão da BM&FBovespa.

Esta dúvida no mercado sobre uma nova elevação da taxa básica "reduz a transparência e a previsibilidade do processo de definição dos juros, o que aumenta a volatilidade das taxas", segundo Paulo Leme, analista do Goldman Sachs, em relatório nesta quinta.

Meirelles já havia abordado a política de comunicação do BC na semana passada, em evento em São Paulo. Ele disse que documentos como a Ata do Copom e o Relatório de Inflação não podem ser interpretados como sinais para a próxima decisão do comitê. "A decisão deve ser pautada pela inflação", afirmou ele. O presidente fazia referência ao erro de parte do mercado que previa um aumento da Selic superior ao 0,5 ponto percentual definido na última reunião do Copom.

Em nota do BC esta quinta, o tom foi semelhante: "A Autoridade Monetária orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação no horizonte relevante para o Sistema de Metas no Brasil".