"Batalha contra a desinformação não é a única que une jornalismo e big techs", diz professora da Columbia
Professora da Columbia é palestrante no 5º Seminário Internacional de Jornalismo ESPM Columbia
Atualizado em 27/09/2021 às 10:09, por
Redação Portal IMPRENSA.
A 5ª edição do Seminário Internacional de Jornalismo ESPM Columbia vai debater o jornalismo e as redes sociais. Em sua palestra, a professora Elena Cabral, docente e assistente do reitor nos programas acadêmicos e de comunicações na escola de jornalismo da universidade nova-iorquina, vai discutir como é possível ir além utilizando as ferramentas.
Em entrevista exclusiva concedida ao Portal IMPRENSA, Elena dá um 'spoiler' sobre o que vai ser discutido no evento, marcado para o dia 29 de setembro.
"Pessoalmente, acredito que os jornalistas devem ser treinados no uso das mídias sociais para fins de reportagem e engajamento. Elas ajudam a aumentar o alcance dos profissionais na verificação de notícias de última hora e no crowdsourcing de histórias mais aprofundadas" conta ela, que começa sua fala às 9h40. Crédito:Reprodução/Youtube
A professora Elena Cabral, da Universidade Columbia "Embora os jornalistas tenham opiniões diferentes sobre o impacto da mídia social em nosso setor, muitos se sentem confortáveis usando plataformas sociais como ferramentas de reportagem e compartilhando seu trabalho com o público em suas contas. Mas existem alguns aspectos potencialmente problemáticos nesse trabalho - como mostrarei na minha apresentação de 29 de setembro, muitas organizações adotam políticas éticas sobre o uso das mídias pelos repórteres", explica.
Elena conta um case de sucesso envolvendo a interação com o público para a construção de melhores histórias. Uma equipe de bolsistas da pós-graduação na Columbia trabalhou em conjunto com rádios públicas em algumas cidades norte-americanas e o resultado foi uma nova forma de informar.
"Esse tipo de colaboração fornece aos repórteres recursos compartilhados, um alcance mais amplo e novas maneiras de empacotar histórias para públicos que se acostumaram aos formatos multimídia", diz.
Jornalismo e as big techs
No Brasil, as entidades jornalísticas mais recentemente se posicionaram a favor de que as chamadas big techs - Google, Facebook, Apple, Amazon - paguem pelo uso de conteúdo noticiosos produzidos pelos mais diversos veículos de imprensa. A demanda foi inspirada em acordos internacionais, mais precisamente um celebrado na Austrália.
Segundo a professora Elena, esse é um dos temas estudados no , na Columbia. "Emily Bell [diretora do centro], o Tow Center e outros meios de comunicação documentaram as políticas e os esforços para ajudar os veículos de comunicação locais a sobreviverem de forma independente em meio a uma estrutura econômica dominada por plataformas de tecnologia, e a pressão sobre as plataformas no combate à desinformação, principalmente nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016", conta. E recomenda o
"Como os estudos reconhecem, ninguém sabe que tipo de relacionamento ou modelo funcionará no futuro, mas muitas pessoas concordam que a independência editorial entre os meios de comunicação jornalísticos é fundamental para manter a integridade do trabalho que fazem nas instituições de poder e indivíduos a prestar contas", completa.
Maior do que a batalha contra a desinformação, diz ela, é a tarefa de olhar "mais de perto" como decisões sobre temas atuais e relevantes são tomadas que une jornalistas e gigantes da comunicação.
"Não é apenas a batalha contra a desinformação que as empresas de tecnologia e redações enfrentam, mas também a tarefa de olhar mais de perto como as decisões sobre o que é realmente relevante são tomadas, o que leva algumas histórias para a infinidade de dispositivos e telas de TV em nossas vidas, e o que essas decisões falam sobre nós como uma cultura", reflete.
"O recente desaparecimento de uma jovem americana chamada Gabrielle Petito se tornou uma das principais histórias em todo o país. Muitos observadores apontaram que a cobertura do caso Petito, uma mulher loira de olhos azuis, ofuscou a cobertura dos casos de milhares de outras pessoas de outras etnias. Alguns dizem que isso foi resultado das publicações de Petito nas redes sociais, documentando a viagem de van que ela fazia com o namorado, Brian Laundrie. Essa extensa pegada digital torna a história digna de cobertura quase de hora em hora, detalhando todos os desenvolvimentos do caso?", questiona.
"Quanto da cobertura dessa história é ditada pelo tráfego da mídia social no TikTok ou no YouTube, e quanto é ditada pelas decisões dos editores nas redações, que ainda estão lutando para refletir as comunidades cada vez mais diversificadas que cobrem? Esses são desafios de longa data também podem distorcer e limitar o tipo de produção de notícias de jornalismo. Portanto, há muito trabalho a ser feito", conclui.
A 5ª edição do Seminário está com inscrições abertas. Para participar, acesse O evento será totalmente online e gratuito, em 29 de setembro, das 9h às 12h30.
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Em entrevista exclusiva concedida ao Portal IMPRENSA, Elena dá um 'spoiler' sobre o que vai ser discutido no evento, marcado para o dia 29 de setembro.
"Pessoalmente, acredito que os jornalistas devem ser treinados no uso das mídias sociais para fins de reportagem e engajamento. Elas ajudam a aumentar o alcance dos profissionais na verificação de notícias de última hora e no crowdsourcing de histórias mais aprofundadas" conta ela, que começa sua fala às 9h40. Crédito:Reprodução/Youtube
A professora Elena Cabral, da Universidade Columbia "Embora os jornalistas tenham opiniões diferentes sobre o impacto da mídia social em nosso setor, muitos se sentem confortáveis usando plataformas sociais como ferramentas de reportagem e compartilhando seu trabalho com o público em suas contas. Mas existem alguns aspectos potencialmente problemáticos nesse trabalho - como mostrarei na minha apresentação de 29 de setembro, muitas organizações adotam políticas éticas sobre o uso das mídias pelos repórteres", explica. Elena conta um case de sucesso envolvendo a interação com o público para a construção de melhores histórias. Uma equipe de bolsistas da pós-graduação na Columbia trabalhou em conjunto com rádios públicas em algumas cidades norte-americanas e o resultado foi uma nova forma de informar.
"Esse tipo de colaboração fornece aos repórteres recursos compartilhados, um alcance mais amplo e novas maneiras de empacotar histórias para públicos que se acostumaram aos formatos multimídia", diz.
Jornalismo e as big techs
No Brasil, as entidades jornalísticas mais recentemente se posicionaram a favor de que as chamadas big techs - Google, Facebook, Apple, Amazon - paguem pelo uso de conteúdo noticiosos produzidos pelos mais diversos veículos de imprensa. A demanda foi inspirada em acordos internacionais, mais precisamente um celebrado na Austrália.
Segundo a professora Elena, esse é um dos temas estudados no , na Columbia. "Emily Bell [diretora do centro], o Tow Center e outros meios de comunicação documentaram as políticas e os esforços para ajudar os veículos de comunicação locais a sobreviverem de forma independente em meio a uma estrutura econômica dominada por plataformas de tecnologia, e a pressão sobre as plataformas no combate à desinformação, principalmente nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016", conta. E recomenda o
"Como os estudos reconhecem, ninguém sabe que tipo de relacionamento ou modelo funcionará no futuro, mas muitas pessoas concordam que a independência editorial entre os meios de comunicação jornalísticos é fundamental para manter a integridade do trabalho que fazem nas instituições de poder e indivíduos a prestar contas", completa.
Maior do que a batalha contra a desinformação, diz ela, é a tarefa de olhar "mais de perto" como decisões sobre temas atuais e relevantes são tomadas que une jornalistas e gigantes da comunicação.
"Não é apenas a batalha contra a desinformação que as empresas de tecnologia e redações enfrentam, mas também a tarefa de olhar mais de perto como as decisões sobre o que é realmente relevante são tomadas, o que leva algumas histórias para a infinidade de dispositivos e telas de TV em nossas vidas, e o que essas decisões falam sobre nós como uma cultura", reflete.
"O recente desaparecimento de uma jovem americana chamada Gabrielle Petito se tornou uma das principais histórias em todo o país. Muitos observadores apontaram que a cobertura do caso Petito, uma mulher loira de olhos azuis, ofuscou a cobertura dos casos de milhares de outras pessoas de outras etnias. Alguns dizem que isso foi resultado das publicações de Petito nas redes sociais, documentando a viagem de van que ela fazia com o namorado, Brian Laundrie. Essa extensa pegada digital torna a história digna de cobertura quase de hora em hora, detalhando todos os desenvolvimentos do caso?", questiona.
"Quanto da cobertura dessa história é ditada pelo tráfego da mídia social no TikTok ou no YouTube, e quanto é ditada pelas decisões dos editores nas redações, que ainda estão lutando para refletir as comunidades cada vez mais diversificadas que cobrem? Esses são desafios de longa data também podem distorcer e limitar o tipo de produção de notícias de jornalismo. Portanto, há muito trabalho a ser feito", conclui.
A 5ª edição do Seminário está com inscrições abertas. Para participar, acesse O evento será totalmente online e gratuito, em 29 de setembro, das 9h às 12h30.
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