Batalha Campal

Batalha Campal

Atualizado em 26/03/2008 às 17:03, por Eduardo Pugnali.

Semana passada, tivemos duas grandes feiras do setor de construção civil, a Revestir e a Kitchens & Bath. Ambas aconteceram simultaneamente no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Uma reuniu os maiores fabricantes de pisos e revestimentos do país e a outras os fabricantes de produtos para banheiros e cozinhas.

Não há como discutir a relevância para o setor, que junto com a Feicon, que acontece no mês de abril, forma a grande vitrine do mercado que mais movimenta a economia do país. Porém, o papo aqui não é macro-economia e sim comunicação.

O gancho das duas feiras - na qual trabalhei junto com a minha equipe arduamente para cinco clientes - me fez lembrar uma teoria que tenho sobre assessores de imprensa/jornalistas durante as feiras. Enxergo esse tipo de evento como uma grande batalha. É uma guerra mesmo.

De um lado os assessores com seus press-kits em punho, prontos para atacar o primeiro jornalista que passa incauto pela Sala de Imprensa do evento. Do outro, os jornalistas fazendo um zigue-zague para se esquivar dos ataques de assessores.

As cenas que chegam até ser cômicas. Para começo de conversa Sala de Imprensa não deveria ter esse nome. Deveria se chamar Sala de Assessores. É fácil contabilizar dúzias desses "elementos" na sala, arrumando prateleiras com kits, olhando nos crachás de todos que entram na sala (para quem nunca participou de um evento desse tipo, vale dizer que assessor tem crachá de uma cor e imprensa de outra), e por fim, prontos para atacar o primeiro coleguinha que pinta na área.

Esse tipo de comportamento, para os profissionais de jornais e revistas mais tarimbados, já é velho conhecido. Para evitar esse quase assédio moral, eles nunca passam pela Sala de Imprensa e fazem contato com assessores mais conhecidos para encontrá-lo em outros pontos da feira, fazendo suas pautas com mais calma.

Há também alguns mais masoquistas, que até fazem as pautas de forma independente, mas dão uma passada na Sala só para ver a confusão que a chegada dele causa, e de quebra pegar alguma novidade que passou despercebida pelos corredores.

Tirando os fatos mais inusitados, o que mais me chama a atenção nas feiras é o nível ralo do trato entre jornalistas e assessores durante as feiras. Não sei dizer se é o ambiente ou se esse tipo de relacionamento é o diário. Torço para que seja a confusão da feira que faça a relação ficar tumultuada, pois se for o contrário, estamos perdidos.

Há realmente uma falta de postura na abordagem com os jornalistas. É chegar um profissional que um bando de assessores literalmente voa em cima dele, cutucando seus press-kits na barriga do indivíduo, sem dar tempo para ele ouvir outro colega. Parece que se não for naquela hora, tudo está perdido.

A impressão que dá é que as regras básicas de educação se perdem e entra em vigor um vale-tudo pela pseudo-atenção do jornalista. A reação da imprensa para esse tipo de ação é óbvia: enfia-se literalmente o press-kit numa sacola, faz-se ouvido de mercador e vai embora da Sala, para analisar o material com calma.

Também não é culpa só dos assessores. A pressão dos clientes por resultados em jornais e revistas é gigante durante a feira. A remota hipótese de ficar fora de alguma pauta é quase que um filme de terror para os assessores. Nesse quadro, num primeiro momento, o vale-tudo é a única alternativa.

Aí que está o engano, acho que falta um planejamento mais adequado para feiras. O trabalho para um evento desses começa pelo menos um mês antes, não só na produção dos textos, mas no mapeamento da imprensa que vai cobrir o evento. O jornalista setorizado que vai para um lugar desses tem que ir pautado, sabendo antecipadamente o que ele irá ver. Não é furar, mas sim prever.

O assédio sempre será grande, pois isso é importante passar um briefing dos grandes lançamentos, informações e fontes que possam ser úteis durante à Feira. Não adianta querer empurrar tudo em poucos dias. Não há tempo para uma "digestão" de tanta coisa.

Para as equipes de TV e Rádio, não é diferente a forma, mas a abordagem é outra. Normalmente, eles chegam soltos dentro de uma feira, buscando o que seja mais interessante para fazer imagens. Com esses, só um acordo, também prévio, com a assessoria do evento salva. A história é ajudar a construir um pautão junto com o evento, mostrando os lances mais interessantes.

Enfim, precisamos urgentemente batalhar pela paz nas feiras e eventos em prol de um bom relacionamento. Vamos deixar as armas (press-kits) de lado e sair numa luta limpa.