Barriga mundial: cafetina brasileira não teria qualquer ligação com governador de Nova York

Barriga mundial: cafetina brasileira não teria qualquer ligação com governador de Nova York

Atualizado em 25/03/2008 às 22:03, por Redação Portal IMPRENSA.

Nesta semana, a imprensa brasileira deu grande destaque à chegada ao Brasil de Andréia Schwartz, que trabalhava como cafetina nos Estados Unidos e teria sido peça fundamental no escândalo que culminou na renúncia do governador de Nova York, Eliot Spitzer.

Nos Estados Unidos, Andréia também foi notícia nos jornais The New York Post e no New York Daily News . As duas publicações, assim como aconteceu no Brasil com jornais e emissoras de rádio e TV, publicaram a versão de que Andréia seria informante nas investigações de que o governador Spitzer fazia uso de serviços de prostituição, pelos quais pagava com remessas de dinheiro a uma empresa de nome QAT, que seria uma "laranja" da agência de prostituição Emperor's Club VIP.

No entanto, segundo relato de promotores envolvidos no caso - e do próprio advogado na cafetina - ela nada tem a ver com a derrocada do governador. Quem trouxe a público a nova versão da história foi a revista Joyce Pascowitch .

As contradições

Ao contrário do que faz parecer, Andréia Schwartz não obteve qualquer benefício da justiça norte-americana por, supostamente, ter colaborado nas investigações do caso do governador. Ela teria ficado presa por 18 meses, acusada de exploração de lenocínio e tráfico de drogas em Nova York. Ao se declarar culpada, em janeiro de 2006, foi feito um acordo com a promotoria local, que a condenou a 22 meses de prisão e, sem seguida, a deportação. Porém, antes que a sentença fosse proferida, pediu leniência e conseguiu a redução da pena para 18 meses e deportação.

Andréia teria sido presa por envolvimento com Wayne Pace, Chief Financial Officer da Time Warner, que era seu freguês e a presenteava com jóias. Em depoimento à promotoria, ela alegou que Pace era seu cliente há quatro anos e que gostava de ver duas mulheres fazendo sexo. O executivo foi aposentado e não foi levado à corte. O depoimento era parte do acordo de Andréia com a promotoria.

O fato é que Andréia, embora tenha dito no Brasil que não era cafetina, apenas apresentava modelos a pessoas influentes, teria tentado vender sua história com o executivo da Time Warner, através de um suposto namorado.

Aproveitando a divulgação do escândalo com o governador, Andréia, por meio do suposto namorado, plantou na imprensa norte-americana, pelo The New York Post , de que teria sido informante no caso e disse, ainda, que Spitzer gostava de ver duas mulheres juntas, assim como no caso da Time Warner.

Para fechar, até o advogado de Andréia , Jeffrey Lindman, disse ao Glamurama, de Joyce Pascowitch, que a cafetina nada tinha a ver com o caso Spitzer. Em uma rápida checagem nas fichas de visitas de Andréia, não há registros de nenhum agente federal que pudesse ter colhido seu depoimento sobre o caso.

Resta saber qual o tamanho desta suposta barriga, que envolve a imprensa brasileira e a norte-americana.

Para ler a apuração da equipe de Joyce, .