Band Tocantins investe em programação local e estrutura própria

Band Tocantins investe em programação local e estrutura própria

Atualizado em 11/05/2009 às 18:05, por Luiz Gustavo Pacete/Redação Revista IMPRENSA.

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Fernando Hessel
Por ser um país de extensão continental, não é novidade que o Brasil possui inúmeros sotaques, costumes e manifestações culturais das mais variadas. Tal característica tem sido observada pelas emissoras de TV do país. Prova disso é que a Band inaugurou, no ano passado, uma unidade no Tocantins e, atualmente, investe na estrutura da filiada, seja em aspectos físicos, seja na programação local.

Sobre tais investimentos e os planos da emissora, o Portal IMPRENSA ouviu Fernando Hessel, diretor de Programação e Jornalismo da Band Tocantins, sediada em Palmas. Acompanhe.

IMPRENSA - Quais as atribuições de um diretor de uma emissora de TV regional? Fernando Hessel - As atribuições de um gestor de uma emissora de TV regional são as mesmas em qualquer outro lugar do país. O gestor tem a mesma importância independentemente de sua localidade. O importante é o resultado final do trabalho. Isto vale para os gestores administrativos, financeiros, jornalismo e programação. No caso da Band, a programação é centralizada em São Paulo; conhecida por "Cabeça de Rede", é daí que partem as orientações de como devem ser todos os processos de produção e gestão nas regionais.

IMPRENSA - Como tem sido o dia-a-dia de um executivo da primeira emissora própria da Band no Tocantins?

Hessel - Por ser uma emissora nova, toda a gestão administrativa e financeira está centralizada na Band Brasília pela proximidade geográfica. Tive a honra de participar da implantação da Band Tocantins - primeira emissora própria no estado - desde o surgimento da autorização do Ministério das Comunicações, compra de terreno, instalação do parque tecnológico, contratação de fornecedores, formação de mão-de-obra e muitas outras ações oriundas de uma TV.

IMPRENSA - As singularidades das micro-regiões de alguma forma aparecem na televisão? Hessel - Diferentemente das demais congêneres que empacotam as programações exclusivamente para o mercado publicitário paulista e carioca somos responsáveis em promover eventos culturais até então ignorados. Cito aqui algumas: Band Folia em Salvador, Recife e Olinda; Círio de Nazaré no Pará; Festão de São João no Maranhão; Festival de Parintins; Festa do Boi em Manaus e outros. Existe um preconceito não verbalizado destas singularidades.


IMPRENSA - Você acredita que o conteúdo da TV brasileira ainda concentra-se num público Rio-São Paulo?

Hessel - Com certeza! Uma explicação se dá pelo fato de ser a região com o maior PIB brasileiro. Ou seja, o poder de compra concentra-se nestes estados. A participação de mercado na capital e interior de São Paulo, por exemplo, gira em torno de 70 % de todo o bolo publicitário no país. E é por isso que os veículos de comunicação focam as programações para este público. Agora, observa-se um desgaste sensível neste formato paulista e carioca de fazer TV.

IMPRENSA - As instalações ainda não estão prontas, mas você poderia citar alguns projetos de programação local?

Hessel - Já estamos no ar com o projeto "Band Repórter Celular" no Tocantins; uma ferramenta que testamos e operacionalizamos primeiramente em São Paulo. Estamos também em fase final de implantação do "Tocantins Urgente", programa que seguirá os mesmos moldes do "Brasil Urgente" apresentado por José Luiz Datena, em rede nacional.

IMPRENSA - Você foi um dos participantes e realizadores de projetos de jornalismo digital na Band São Paulo, e com a TV digital, como é que fica?

Hessel - Participei ativamente do surgimento de um projeto chamado "SP Digital", exibido na Rede 21, emissora do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Isto ocorreu em 2000, época em que não era comentado publicamente sobre a TV Digital. Na verdade, a Band já fazia, através deste núcleo, vários experimentos de captação digital com as videorreportagens. Foi um projeto excepcional que resultou numa tese de doutorado feita pela coordenadora do núcleo "SP Digital", Cintya Floriani, brasileira que atualmente vive na Espanha. A TV Digital na verdade é a maximização deste projeto, pois tem todos os elementos desenvolvidos na videorreportagem da Band.

IMPRENSA - Você foi repórter na Band São Paulo, o que a vivência das ruas tem contribuído para suas atribuições num cargo executivo?

Hessel - Uma vez repórter, sempre repórter. Posso futuramente ocupar cargos maiores e diferentes, mas nunca perderei a essência de ser um bom repórter. Esta função nunca é flexionada na vida de um jornalista do tipo estar ou ser repórter. O repórter está na natureza do ser humano jornalista. Por isso, me considero um eterno repórter. Se você não estiver envolvido com esta personalidade você nunca executará um trabalho sério, profissional e com qualidade. Mesmo como gestor de jornalismo e programação sempre pego uma câmera ou celular e vou as ruas sentir o cheiro da notícia.