Band exige condenação de responsável por morte de cinegrafista; família doa órgãos
Em nota, o Grupo Bandeirantes se manifestou sobre a morte do cinegrafista da casa, Santiago Andrade. Ele faleceu após ser atingido por um rojão enquanto fazia cobertura de manifestação contra aumento da passagem de ônibus no Rio de Janeiro, na última quinta-feira (6/2).
Atualizado em 10/02/2014 às 18:02, por
Redação Portal IMPRENSA.
"A tragédia que envolve a morte do cinegrafista Santiago Andrade – e que nos deixa arrasados diante da perda de um companheiro querido – é mais uma evidência de que a desordem está imperando nas ruas de nossas cidades".
Para a emissora, "o desvairado que soltou a bomba assassina é um exemplar conhecido de baderneiro, como tantos que vêm espalhando o terror, infiltrados entre manifestantes. A força de reação que encontram não tem sido suficiente para intimidá-los. Pelo contrário, estão cada vez mais ousados e seguros nas suas ações violentas".
"A Band vai acompanhar e exigir, passo a passo, as investigações, o processo e a condenação desse assassino e de seu grupo. E, ao fazer isso, estará solidária não só com a família de Santiago Andrade. Mas com toda a família brasileira, que já não suporta viver cercada de tantas e variadas ameaças, sentindo-se numa terra de ninguém", conclui a nota.
Despedida
Segundo O Globo , após a confirmação da morte cerebral de Andrade, quando exames mostraram que 90% do lado esquerdo do cérebro dele estariam sem irrigação, a família decidiu doar os órgãos do cinegrafista.
No , Vanessa Andrade, filha do repórter cinematográfico, divulgou uma carta de despedida relembrando o pai. O texto carregado de emoção relembra momentos familiares o orgulho dela em relação ao trabalho de Santiago. Acompanhe na íntegra
"Meu nome é Vanessa Andrade, tenho 29 anos e acabo de perder meu pai.
Quando decidi ser jornalista, aos 16, ele quase caiu duro. Disse que era profissão ingrata, salário baixo e muita ralação. Mas eu expliquei: vou usar seu sobrenome. Ele riu e disse: então pode! Quando fiz minha primeira tatuagem, aos 15, achei que ele ia surtar. Mas ele olhou e disse: caramba, filha, quero fazer também. E me deu de presente meu nome no antebraço.
Quando casei, ele ficou tão bêbado que, na hora de eu me despedir pra seguir em lua de mel, ele vomitava e me abraçava ao mesmo tempo. Me ensinou muitos valores. A gente que vem de família humilde precisa provar duas vezes a que veio. Me deixou a vida toda em escola pública porque preferiu trabalhar mais para me pagar a faculdade. Ali o sonho dele se realizava. E o meu começava.
Esta noite eu passei no hospital me despedindo. Só eu e ele. Deitada em seu ombro, tivemos tempo de conversar sobre muitos assuntos, pedi perdão pelas minhas falhas e prometi seguir de cabeça erguida e cuidar da minha mãe e meus avós. Ele estava quentinho e sereno. Éramos só nós dois, pai e filha, na despedida mais linda que eu poderia ter. E ele também se despediu.
Sei que ele está bem. Claro que está. E eu sou a continuação da vida dele. Um dia meus futuros filhos saberão quem foi Santiago Andrade, o avô deles. Mas eu, somente eu, saberei o orgulho de ter o nome dele na minha identidade.
Obrigada, meu Deus. Porque tive a chance de amar e ser amada. Tive todas as alegrias e tristezas de pai e filha. Eu tive um pai. E ele teve uma filha.
Obrigada a todos. Ele também agradece.
Eu sou Vanessa Andrade, tenho 29 anos e os anjinhos do céu acabam de ganhar um pai."





