Band domina cotidiano de quem assiste TV no transporte público de SP

Desde 2006 no metrô e 2012 nos ônibus, tornou-se rotina de quem pega metrô e ônibus em São Paulo, mesmo sem aparelhos portáteis, assistir a um tipo de TV diferente: sem som.

Atualizado em 02/09/2013 às 14:09, por Maurício Kanno.

O que muita gente não sabe é que o conteúdo dos dois meios de transporte é produzido pela mesma equipe — com 16 pessoas — e empresa: a Band Outernet, do Grupo Bandeirantes. Crédito:Divulgação Passageira do metrô de São Paulo observa tela da TV Minuto
Para transmitir todo esse conteúdo é tela que não acaba mais: 5.200 delas, em 109 trens, para a TV Minuto, nas linhas vermelha, azul e verde do metrô, atingindo mais de 5,5 milhões de pessoas mensalmente, segundo estimativa Ipsos Marplan. E são outros 2.600 monitores para a TVO, nos ônibus paulistanos, com estimativa de impacto de 6 milhões de pessoas mensalmente.

E não acaba aí. Essa empresa, a maior deste tipo de mídia “out of home” (“fora de casa”), produz também conteúdo para a TV Orla, nas praias do Rio de Janeiro; para o metrô do Rio de Janeiro, Porto Alegre e Brasília; e para ônibus no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre. São ao todo mais de 31 mil telas em 26 cidades, com 13 milhões de pessoas atingidas mensalmente. Em março de 2014, ainda, a Band Outernet vai passar a operar também em aeroportos.

Mudo

Quanto à falta de áudio nessas TVs, segundo a diretora de conteúdo da empresa, Catarina Casanova, edital do próprio Metrô exigiu essa ausência; assim como portaria de 2011 da Secretaria Municipal de Transportes, para o caso dos ônibus.
“O desafio é diário. É preciso unir informação visual com um texto direto e conciso”, conta ela. “Além disso, trabalhar em proximidade com a equipe de arte para que o conjunto tenha uma leitura clara e as hierarquias da informação sejam respeitadas.”

Catarina também diz que, entre os 30 “programetes” em cada meio, os de notícias, esporte, serviços, concurso cultural e entretenimento são os assuntos que mais geram interesse do público. É um retorno medido via contatos por e-mail, respostas dos concursos e redes sociais. A programação é renovada diariamente, mas as notícias são atualizadas em tempo real, com uma média de 80 mudanças diárias.

Crédito:Divulgação Passageiros de ônibus com tela de transmissão da TVO em São Paulo Tripé para dois
A diretora relata que o tripé é o mesmo para ônibus e metrô: notícias, serviços e entretenimento. A abordagem final acaba sendo diferente, mas com a mesma raiz. Por exemplo, na TVO, dos ônibus, há um programa com “curiosidades, fatos inusitados e engraçados que acontecem pelo mundo”; na TV Minuto, do metrô, exibem “os vídeos mais engraçados na web”.
Já no tema saúde, a TVO apresenta o “É Época de”, que faz uma seleção de frutas, verduras e legumes que estão na melhor época e dicas de receitas rápidas e nutritivas; na TV Minuto, há um outro programa similar sobre práticas saudáveis, exercícios e alimentos funcionais.
Jornalistas e profissionais de criação selecionam, editam, montam e enviam o conteúdo para a central de operações. Na central, o material é checado e dividido em grades de programação. Em seguida, é enviado a um servidor, que o distribui aos diversos locais de transmissão.

“Temos consciência de que a audiência não pode mudar de canal, por isso, elaboramos uma programação que contemple um público variado e que, acima de tudo, leve informação relevante para a população e que a aproxime de forma positiva da cidade por onde circula”, resume a diretora da Banda Outernet.

Havia até uma equipe só para atender a um quadro com histórias engraçadas enviadas pelo público, o “Você na TV”, com redatores, figurinistas e editores, com gravações a produzir. O programa, com visual mesclado entre fotos, desenhos e balões como de quadrinhos, não está mais na programação, mas pode ser conferido no da TV Minuto.