William Waack: "O correspondente de guerra não pode ser a notícia", por Fernanda Campagnucci, estudante da ECA/USP
William Waack: "O correspondente de guerra não pode ser a notícia", por Fernanda Campagnucci, estudante da ECA/USP
William Waack: "O correspondente de guerra não pode ser a notícia" , por Fernanda Campagnucci, estudante da ECA/USP
Com a experiência de cobrir nove conflitos internacionais e de ser prisioneiro na Guerra do Golfo, o jornalista William Waack aponta que muitos colegas estão atrás apenas de prestígio e são motivados pela vaidade
Guerra Fria, queda do Muro de Berlim, revolução no Irã, desintegração da União Soviética e o fim do comunismo na Europa, ondas de terrorismo européias, o papado de João Paulo II, diversas crises de países latino-americanos. O jornalista William Waack, atualmente apresentador do Jornal da Globo, presenciou e noticiou esses e outros importantes momentos da História. Enviado especial em mais de 40 países, Waack avalia que, se a posição de "correspondente internacional" é disputada pelos jornalistas, a motivação nem sempre é nobre: "é forte a disputa pela vaidade e o jornalista nem sempre é levado pela vontade de cumprir uma missão profissional", diz.
Há dois tipos de reportagem que podem ser executadas no exterior - o trabalho de correspondência internacional e o de enviado especial. No primeiro, o repórter é baseado em uma região fixa e pauta o próprio trabalho, noticiando acontecimentos, por vezes, de um país ou continente inteiro. No segundo, a missão do jornalista já é pré-definida, como no caso de investigar algo ou cobrir uma guerra. William Waack participou da cobertura de nove guerras como enviado especial, seis no Oriente Médio (Irã-Iraque, pelo lado iraniano, Guerra Civil do Líbano, invasão israelense do Líbano, Guerra do Golfo de 1991, durante a qual foi feito prisioneiro pelo Exército iraquiano) e três nos Bálcãs (a guerra de separação da Eslovênia, da Croácia e do Kosovo).
Motivação
Os motivos que levam um jornalista a cobrir uma guerra, segundo Waack, são os mais variados: idealismo profissional, prestígio e, algumas vezes, vaidade. "Muitos colegas querem ir para a guerra apenas por aquilo que consideram valorização do prestígio pessoal, e fazem de conta que estiveram na cobertura do conflito para acrescentar ao currículo o título correspondente de guerra ", explica.
A remuneração, na maioria dos casos, não pode ser considerada um fator principal. Uma agência de notícias internacional como a France Presse, por exemplo, paga entre US$ 60 e US$ 110 por dia numa cobertura como a guerra no Iraque. O risco de vida também é alto, de quase 100%.
Quando fala da ocasião em que ficou sob o poder de xiitas na Guerra do Golfo, em 1991, William Waack afirma que não há mérito nenhum em ser preso e que não foi correto que ele próprio tenha virado notícia. Para o jornalista, em entrevista coletiva concedida no IV Curso de Informação sobre Jornalismo em Situações de Conflito Armado, no sábado (15), promovido pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha, o destaque deve ir sempre para o fato. "O jornalista está lá para contar uma história, e não destacar a sua", defende.






