V FLIP 4: Ruy Castro e Fernando Morais lançam movimento em defesa da biografia de Roberto Carlos

V FLIP 4: Ruy Castro e Fernando Morais lançam movimento em defesa da biografia de Roberto Carlos

Atualizado em 06/07/2007 às 12:07, por Pedro Venceslau/Redação Revista IMPRENSA e  de Parati.

V FLIP 4 : Ruy Castro e Fernando Morais lançam movimento em defesa da biografia de Roberto Carlos

Por Na manhã desta sexta-feira (06/07), o debate sobre a censura bateu o recorde de público da V Festa Literária Internacional de Parati. Na "Tenda dos Autores", o público estimado foi de 800 pessoas. A "Tenda da Matriz", que reúne os "sem ingresso" para acompanhar as mesas por um telão, recebeu 1,2 mil pessoas, segundo a organização do evento.

Pela primeira vez na história da FLIP, um movimento com caráter político foi lançado pelos autores. Por sugestão da platéia, Ruy Castro e Fernando Morais conclamaram os participantes da FLIP a assinar um abaixo assinado, dirigido ao Congresso Nacional, para rever o artigo da Constituição que garante a liberdade de informação.

A iniciativa foi um desagravo à biografia "Roberto Carlos em detalhes", do jornalista Paulo César Araújo, que foi confiscada das livrarias depois uma batalha judicial do biografado contra o autor. "Estamos vivendo a era da censura togada, que não atinge apenas os livros, mas também os jornais de fora das grandes cidades. Os senhores de capa preta estão proibindo a sociedade de se informar. Quando um jornal do interior é censurado, isso não rende nem notinhas nos grandes jornais", afirmou Fernando Morais, autor do livro "Na toca dos Leões", sobre a agência W/Brasil, que foi vítima da ação de um juiz goiano.

Ruy Castro, que enfrentou uma batalha judicial de 11 anos contra a família de Garrincha em função do livro "Estrela Solitária", também saiu em defesa de Araújo: "Já que Roberto Carlos exigiu o seqüestro de todos os exemplares do livro, que pelo menos pegasse um para ler". Paulo César Araújo garantiu que a luta não acabou. "Passei 15 anos fazendo o livro. Se for preciso, fico mais 15 anos lutando para devolvê-lo às livrarias. Esse caso abre um precedente perigoso. Se alguém, um dia, escrever uma biografia sobre Maluf ou Fernandino Beira Mar, os biografados poderão alegar a mesma coisa que Roberto Carlos para impedir o livro de circular".

Ruy Castro não perdeu a chance de fazer uma provocação. "A Companhia das Letras (que lançou a biografia de Garrincha) lutou durante 11 anos em defesa da liberdade de expressão. Você foi abandonado por sua editora, a Planeta, que é espanhola. Se a editora fosse brasileira, você acredita que eles não teriam desistido tão fácil?". Araújo preferiu não bater de frente. "Prefiro acreditar que eles foram coagidos no calor da história e pelas ameaças dos juízes".