Troféu Dia da Imprensa: Editora-executiva da Folha de S.Paulo faz balanço do novo projeto gráfico do jornal
Troféu Dia da Imprensa: Editora-executiva da Folha de S.Paulo faz balanço do novo projeto gráfico do jornal
Atualizado em 22/06/2006 às 10:06, por
James Cimino/Redação Portal IMPRENSA.
Troféu Dia da Imprensa: Editora-executiva da Folha de S.Paulo faz balanço do novo projeto gráfico do jornal
A Folha de S.Paulo comemorou sua vitória no prêmio Dia da Imprensa, promovido pelo Portal IMPRENSA. A publicação foi eleita como o melhor jornal diário do país com 30% dos votos, deixando atrás de si O Estado de S.Paulo , o gaúcho Zero Hora e os cariocas Jornal do Brasil e O Globo .A editora-executiva da Folha , Eleonora de Lucena, atribui a preferência ao caráter independente, crítico, apartidário e pluralista do jornal, elementos que considera serem "os pilares do projeto editorial da Folha ", que garantem a credibilidade e prestígio do jornal junto aos leitores. "Por isso, na construção da história recente do país, o jornal se tornou uma referência importante no debate nacional", destacou Eleonora, que também recordou a cobertura feita pelo jornal na época do movimento "Diretas Já!", a compra de votos no Congresso pelo governo Fernando Henrique Cardoso e, mais recentemente, as denúncias do mensalão.
Além disso, a editora-executiva comentou aspectos da implantação do novo projeto gráfico do jornal, inaugurado em maio deste ano. Leia abaixo trechos da entrevista dada ao Portal IMPRENSA:
IMPRENSA - Faz menos de um mês que a Folha inaugurou um novo projeto gráfico. Qual era o objetivo da direção do jornal com essa mudança? O resultado está dentro das expectativas?
Eleonora de Lucena - O objetivo do jornal foi renovar o seu aspecto gráfico levando em conta sua trajetória editorial. A Folha já tem uma tradição de fazer mudanças gráficas periodicamente, mais ou menos a cada seis anos. Buscamos facilitar a leitura, trazer mais dinamismo para as páginas e valorizar a equipe de colunistas. Pretendíamos também produzir o jornal com diferentes relevos, demarcando melhor os espaços entre os cadernos noticiosos diários e os suplementos semanais -que ganharam um aspecto visual mais próximo ao de revistas. A pesquisa que o Datafolha realizou com os leitores e as avaliações internas mostram que a reforma atingiu os resultados almejados, criando ferramentas para melhorar as condições de leitura.
IMPRENSA - Quanto tempo levou para ser implantada essa reforma e quais foram as maiores dificuldades encontradas no percurso?
Eleonora de Lucena - O processo de discussão para a reforma gráfica começou no início do ano passado. A redação organizou uma comissão de editores que discutiu os rumos que a reforma deveria seguir. A partir daí, ouvimos propostas dos principais escritórios de design gráfico do mundo e acabamos optando por uma consultoria do escritório de Mario Garcia, que atuou em veículos como The Wall Street Journal , Libération e Die Zeit . No segundo semestre do ano passado, o trabalho mais concreto começou. Fizemos uma série de testes e pesquisas qualitativas com leitores para aprimorar detalhes da reforma. Paralelamente, as áreas de tecnologia e do industrial da empresa trataram de viabilizar as alterações técnicas. Houve seminários internos, treinamentos e ensaios na redação para a avaliação dos impactos das mudanças nas rotinas internas. Horários de reuniões foram alterados para melhorar a discussão interna sobre a produção e edição. Afinal, nosso desejo com a reforma não é apenas melhorar o jornal do ponto de vista plástico, mas também procurar formas de aprofundar a qualidade do conteúdo jornalístico - nosso principal objetivo.
IMPRENSA - Houve reflexo na tiragem (venda/assinatura) após a implantação do novo projeto?
Eleonora de Lucena - Não temos ainda dados disponíveis.
IMPRENSA - Segundo o Datafolha , 86% dos leitores aprovaram a reforma gráfica do jornal. Mesmo assim, o ombudsman Marcelo Beraba recebeu muitas reclamações acerca da diminuição do espaço de texto - como foi o caso do colunista Demétrio Magnoli - e, também, do número de imagens - caso da Bárbara Gancia. Nesta mesma coluna, publicada no dia 28 de maio, um box chamado "outro lado" justifica que a mudança de fonte implicou em um corte de "menos de 1% de massa de texto noticioso". Como se faz esse tipo de medição e como fica a avaliação de conteúdo noticioso?
Eleonora de Lucena - A medição é simples e compara uma coluna cheia de texto na antiga fonte utilizada pelo jornal (FolhaSerif) com o mesmo espaço na nova fonte (Chronicle). Nessa conta, a perda de espaço é desprezível e houve ganho na clareza e qualidade de leitura em razão do desenho da letra - mais moderna e apropriada para jornais. Certos redesenhos de páginas implicaram cortes em algumas colunas. Ao mesmo tempo, as colunas ganharam mais destaque. Os textos noticiosos mais importantes (abres de página) receberam uma abertura de contextualização da notícia, além de outros recursos para facilitar o entendimento do fato. Tudo feito no sentido de melhoria e ampliação do conteúdo noticioso.
IMPRENSA - Em entrevista à revista IMPRENSA deste mês, o ex-ministro José Dirceu acusou a Folha de usar seu painel para mobilizar sua base política para hostilizá-lo e aos dirigentes do PT. Qual sua opinião sobre esse assunto?
Eleonora de Lucena - A Folha pratica um jornalismo apartidário, plural, crítico e independente. Preocupado sempre em dar espaço para o "outro lado" dos fatos, editando versões e opiniões de múltiplos pontos de vista. A Folha recebe críticas dos diferentes setores da sociedade, governos de vários matizes e as publica com transparência. Nosso compromisso é só com o leitor.
IMPRENSA - Na mesma entrevista, disse que a Folha é "serrista". No entanto, em sua coluna do dia 07 de junho, o Elio Gaspari publicou um editorial em que atacava veementemente a candidatura Alckmin, do mesmo PSDB de Serra. Vocês estão decepcionados com a candidatura Alckmin?
Eleonora de Lucena - A Folha não defende candidaturas e não se alinha a grupos políticos e a governos. É independente. Essa é a espinha dorsal do jornalismo praticado aqui. Isso costuma incomodar governos e oposições, que, às vezes, não entendem a radicalidade do compromisso da Folha com seu projeto editorial.






