Sobrevivente: Jornalista americano relata no NY Times como foi o acidente entre os aviões na Serra do Cachimbo

Sobrevivente: Jornalista americano relata no NY Times como foi o acidente entre os aviões na Serra do Cachimbo

Atualizado em 03/10/2006 às 17:10, por Gustavo Simon/Redação Portal IMPRENSA.

Sobrevivente : Jornalista americano relata no NY Times como foi o acidente entre os aviões na Serra do Cachimbo

Por O repórter Joe Sharkey, da editoria de Turismo do jornal The New York Times , escreveu na edição de ontem (03/10) da publicação que os minutos que sucederam o choque entre o jato executivo em que ele estava e o Boeing da Gol foram os mais angustiantes de sua vida.

O jornalista, que voltou a New Jersey na segunda-feira (02/10), estava no Brasil fazendo uma matéria, na função de freelancer, para a revista Business Jet Traveler , focada em negócios.

Sharkey voava - com dois pilotos, executivos da Embraer e um da ExcelAire, compradora do jato - no Legacy que se chocou com o avião da Gol na região da Serra do Cachimbo, no Mato Grosso na tarde de sexta-feira (29/09).

Ontem, em seu blog , ele afirmou estar bem e surpreso por estar vivo, porque sabia que a sobrevivência em colisões aéreas é rara; mas se disse preocupado com a detenção provisória dos pilotos e do diretor da ExcelAire no Brasil.

No NY Times de hoje, Sharkey relata na matéria intitulada "Colidindo com a morte a 37 mil pés e sobrevivendo" que foi à cabine e, depois de ver nos painéis a marcação "37 mil pés", ouviu dos pilotos que "o avião estava voando maravilhosamente".

Depois de um forte estrondo, o comandante gritou "Nós batemos!". Na seqüência, Sharkey pensou: "Em quê? O céu estava claro, o sol baixo. A floresta Amazônica continuava para sempre no olhar. Ali começaram os 30 minutos mais angustiantes da minha vida". Segundo ele, todos escreveram pequenos recados para famílias e amigos e guardaram nas carteiras, com a esperança de que fossem encontrados mais tarde, no caso de um desastre maior.

Meia hora depois da batida, os pilotos avistaram a base militar "escondida no meio das árvores" da Serra do Cachimbo e fizeram um pouso forçado. No trajeto, Sharkey pensou muito na família, segundo a matéria do NY Times , assinada de São José dos Campos.

Na base aérea, eles foram recepcionados com comida e cerveja gelada e ainda não sabiam nem com o quê haviam colidido; só tinha ficado claro, na cabeça do repórter, que todos estiveram "envolvidos em um verdadeiro desastre aéreo, do qual nenhum deveria ter sobrevivido". Apenas três horas depois da aterrissagem, ele e os demais passageiros souberam do desaparecimento do Boeing da Gol.

"Ao invés de celebrar as vidas dos `Sete da Amazônia´, curvamos nossas cabeças em um longo momento de silêncio, ao som surdo de lágrimas", poetiza na matéria. "A vida deles [os passageiros do avião da Gol] e as nossas se interceptaram, literal e metaforicamente, em uma horrível fração de segundo".

Ao final do relato, ele conta o que aconteceu no dia seguinte e os rumos da investigação sobre os destroços do Boeing 737 da Gol.