SJSP - Tortura: em Rádio e TV, para variar, empresas negam aumento real de 0,44% e inviabilizam acordo
SJSP - Tortura: em Rádio e TV, para variar, empresas negam aumento real de 0,44% e inviabilizam acordo
Atualizado em 22/12/2005 às 08:12, por
Fonte: Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.
SJSP - Tortura: em Rádio e TV, para variar, empresas negam aumento real de 0,44% e inviabilizam acordo
Chegou na voz do vice-presidente do sindicato patronal do segmento de Rádio e Televisão (Sertesp), Edison Biasin, às 15h de hoje (20/12) em telefonema ao presidente do SJSP, Fred Ghedini, a resposta às várias consultas, no final de um processo cheio de idas e vindas no complicado processo de negociação dos jornalistas com a entidade patronal: "As empresas que eu consultei não concordam em dar aumento real e, ao mesmo tempo, um abono para os jornalistas", disse Biasin.As empresas estavam sendo consultadas sobre a possibilidade de os jornalistas fazerem nova proposta ao sindicato patronal, depois que os dois representantes do Sertesp que participavam das conversas (Biasin, da EPTV e Edmundo Lopes, da TV Globo no Rio) deixaram claro que os patrões não aceitariam a última proposta feita pelas sessões da Assembléia Permanente dos jornalistas. Os 8% de reajuste para todos os salários e pisos de R$ 1.000,00 no Interior/Litoral e R$ 1.200,00 na Capital já eram a segunda proposta dos jornalistas, muito abaixo do que constava da Pauta de Reivindicações entregue em outubro aos patrões (5,53% do INPC + 4% de aumento real + 8,56% de reposição das perdas de anos anteriores). Depois do envio dessa proposta em 13/12, houve vários contatos entre os dois Sindicatos, na tentativa de se encontrar um meio-termo que permitisse o acordo. Os patrões disseram que seria impossível ir além dos 5,6% de reajuste (arredondamento do índice de inflação de 5,53%). E dá-lhe o chamado "ganho eventual", o famoso abono. No piso, os representantes das empresas chegaram a falar em 8% de reajuste. Por sua vez, nas consultas feitas pela direção do Sindicato, ficou claro que os jornalistas aceitariam esse percentual (2,34% acima da inflação). Mas não aceitariam zero de aumento real, ou seja, os 5,6% para os demais salários mesmo com a oferta do abono, que poderia chegar a 26% nos salários acima do piso. Ou "um pouco mais", como diziam os negociadores das empresas. Os jornalistas responderam: se as empresas mantivessem os 8% para o piso, com aumento de 6% para os demais salários e 35% de abono (o abono para quem ganha o piso poderia ser menor, já que estes estavam tendo um aumento percentual maior nos salários), isto poderia ser submetido a novas sessões da Assembléia Permanente e ser transformado em proposta para acordo. Mesmo considerando que o aumento real seria de apenas 0,44% acima da inflação, o menor em comparação aos índices concedidos pelas empresas dos demais segmentos que, por sinal, não tinham perdas anteriores, ao contrário de Rádio e TV, com seus 8,56% de perdas nos menores salários). Era preciso apenas que as empresas sinalizassem estar de acordo com estes números. Segundo Biasin, não houve essa concordância. Mais uma vez, venceu a inflexibilidade e a arrogância, num claro desrespeito aos jornalistas que mantêm no ar o jornalismo nas emissoras de rádio e TV e que ajudam a garantir o faturamento e os lucros das empresas.
Como fica em Rádio e TV
Resta ao SJSP esperar a rejeição formal em relação à proposta anteriormente enviada ao Sindicato patronal (a dos 8% de reajuste), prometida para 21/12. Uma vez formalizada a resposta, o Sindicato tentará ainda conciliação na DRT (mesa-redonda), no início de janeiro. Se não for possível essa conciliação, só restará o caminho do dissídio, uma vez que temos até o dia 24/01 para entrar com esse pedido no TRT e garantir nossa data-base de 1o de dezembro.
"Tudo isso é lamentável. Mais uma vez, o segmento em que foram registrados resultados muito bons de crescimento do faturamento publicitário, apresenta a pior proposta para os jornalistas, comparando-se com outros três segmentos", diz o presidente do SJSP. E completa: "Um segmento que, sozinho, fatura 66% de toda a publicidade do país, não pode conceder 0,44% de aumento real para seus funcionários!"
Aos jornalistas, para não permanecerem reféns dessa tortura, resta ficarem atentos para os próximos passos e participar ativamente das decisões. Como foi demonstrado nos resultados obtidos nos outros segmentos, é a participação efetiva dos jornalistas e o seu interesse pela Campanha Salarial que podem garantir novas e futuras conquistas.
Como ficou nos outros segmentos
Assessoria de Imprensa/Comunicação teve o maior aumento real
- Assessoria de Imprensa/Comunicação: data-base 1º de outubro.
- Reajuste de 6,5% a partir da data-base de 2005 (o que significa aumento real de 2,05% sobre o INPC de 4,36% acumulado no período)
- Pisos de R$ 1.667,00 para jornada de 5 horas e R$ 2.667,20 para jornada de 5 horas + 2 horas extras (reajuste de 6,86% e aumento real de 1,26%)
Jornais e revistas da Capital: ganho significativo nos pisos
- Jornais e revistas da Capital: data-base 1º de dezembro.
- Reajuste de 6,23% a partir da data-base (o que significa aumento real de 0,66% sobre o INPC de 5,53%)
- Pisos de R$ 1.500,00 para jornada de 5 horas e de R$ 2.400,00 para jornada de 5 horas+2 horas extras (reajuste de 7,14% e aumento real de 1,53%)
- Auxílio creche de R$ 238,00, para jornalistas com filhos de até seis anos ou sete se não estiver no primário (reajuste de 19% e aumento real de 12,76%)
- PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de R$ 380,00 a ser paga até a folha de pagamento de setembro de 2006 (reajuste de 15,15% e aumento real de 9,12%)
Jornais e Revistas do Interior: participação garante elevação do aumento real para 0,92%
- Jornais e revistas do Interior: data base 1º de dezembro
- Reajuste de 6,5% a partir da data base (aumento real de 0,92% sobre o INPC de 5,53%)
- Pisos de R$ 1.250,00 para jornada de 5 horas e de R$ 2.000,00 para jornada de 5 horas + 2 horas extras (reajuste de 6,84% e aumento real de 1,24%).
- PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de R$ 350,00 a ser paga até a folha de julho de 2006 (reajuste de 22,81% e aumento real de 16,37%)
- Auxílio creche de R$ 176,79 para jornalistas com filhos de até 6 anos (reajuste de 6,5%)
- Convênio Saúde - as empresas custearão no mínimo 35% dos valores pagos pelos jornalistas para planos médicos empresariais.
As que não oferecem planos de saúde reembolsarão o valor R$ 61,77 ao jornalista que tenha plano de saúde de livre escolha.
- Mudança da data base para 1º de junho a partir de 2007, por isso no segundo semestre de 2006 e com isso estaremos negociando por seis meses (de 1º de dezembro de 2006 a 31/05/2007).






