SJRJ - Debate com Fernando Morais esquenta o Bar Aparelho
SJRJ - Debate com Fernando Morais esquenta o Bar Aparelho
Atualizado em 01/12/2005 às 08:12, por
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SJRJ - Debate com Fernando Morais esquenta o Bar Aparelho
O jornalista e escritor Fernando Morais, autor de obras como "Olga", "Ilha", "Chatô - O rei do Brasil" e "Na toca dos leões", foi o convidado do Bar Aparelho na noite de segunda-feira (28). O local ficou lotado de jornalistas e estudantes, que ouviram e debateram com o palestrante por três horas e meia.Após falar sobre sua infância e o "início precoce" na profissão de jornalista, aos 13 anos, Fernando Morais entrou no assunto mais esperado da noite: a política. O tema principal foi a defesa que o escritor tem feito do ex-ministro José Dirceu. Ex-deputado, ex-secretário de Educação e ex-secretário de Cultura de São Paulo, Fernando contou que já havia resolvido largar a política e viver somente dos direitos autorais de suas obras, mas caiu em tentação e candidatou-se ao Governo de São Paulo, em 2002. Nova decepção. A poucos dias do horário eleitoral, descobriu que Orestes Quércia, que fazia campanha para o Senado, queria se apropriar dos dez minutos a que Fernando teria direito na televisão. "A única coisa que eu tinha, a única esperança que eu podia ter de peitar o Alckmin na televisão ele queria me tomar. Fiz uma carta ao TRE denunciando aquilo tudo. Peguei meu boné e disse: Faça o que quiser, mas comigo não, nunca mais. E fui embora."
A partir de então, foi trabalhar na campanha de Lula para a Presidência, mas afirma que, após a vitória, perdeu contato com a cúpula petista - foi uma única vez ao Planalto, assistir "Olga" a convite de Lula, e uma vez ao gabinete de Dirceu, então ministro-chefe da Casa Civil -, retomando sua vida literária.
Indagado sobre sua estreita relação com o deputado José Dirceu, tendo inclusive se oferecido para depor a seu favor na CPI instalada na Câmara dos Deputados, o jornalista surpreendeu a platéia ao dizer que não tem relações de amizade com o ex-Ministro. "Não sou amigo dele, não sei onde ele mora. Minha mulher e a mulher dele mal se conhecem e nossas filhas nem se conhecem. Não sou do PT. Estou apenas tentando ser justo. Estou fazendo o possível para que o deputado José Dirceu tenha um julgamento justo. Fui lá e disse o que acho dele e de toda essa história."
Fernando Morais não acha errado o jornalista ir atrás, investigar e publicar as informações, pois esse é o seu papel, mas no caso de José Dirceu, segundo ele, a imprensa está dando um tratamento errado, agindo como se fosse da oposição. "Ela investigou, julgou e condenou o Zé Dirceu e agora está tendo arrancos de cachorro atropelado porque a Justiça e o Parlamento não executam a pena."
Sobre os boatos de que estaria recebendo dinheiro para escrever um livro sobre a gestão de Dirceu na Casa Civil, Fernando foi taxativo: "Isso é uma boato insultuoso. Não recebi nada. Até porque o Zé Dirceu teria de roubar muito mais bancos do que roubou em toda a sua vida (na época da luta armada contra o regime militar) para pagar o meu preço. Como ele não tem dinheiro para me pagar, fiz a proposta de rachar com ele, durante 30 meses, os direitos autorais do livro."
Para justificar a ferrenha defesa do ex-todo poderoso do governo Lula, Fernando Morais disse que sua referência no atual governo sempre foi José Dirceu. "Ele era a minha referência nesse governo que eu tanto lutei para eleger. Era o cara que queria acertar, que era contra essa política horrorosa. O Waldomiro foi filmado pedindo dinheiro a um bicheiro, dois anos antes, mas quando divulgaram a fita disseram logo que o José Dirceu era o chefe do esquema. Isso não se faz. É preciso comparar o passado das pessoas."
Em relação ao governo Lula, apesar de dizer que também se sentiu traído, Fernando afirma que faria campanha novamente para o atual Presidente. "É claro que há problemas e acho que os culpados têm que ser punidos, mas isso tem que ser feito com justiça. A mídia, de uma forma geral, tem sido muito mais dura com Lula do que foi com Fernando Henrique. Mas eu não excluo as coisas boas do governo. Diante do horizonte que está aí, voto no Lula novamente se ele for candidato. E venho aqui pedir voto para ele, vou bater boca com as pessoas. Agora, eu não sou a irmã Dulce nem a irmã Teresa de Calcutá. Como não tenho nenhuma ligação orgânica com eles, me sinto muito à vontade para dizer: "Olha, ajudei a eleger, acho que tá fazendo besteira aqui, ali não." E vou votar nele sim."
O jornalista foi questionado ainda sobre o fato de que iria escrever a biografia do senador Antônio Carlos Magalhães, o que, para muitos, não combina com a história de vida política de Fernando Morais. "Sei que muitas pessoas não gostam do ACM, mas não estou pedindo para ninguém casar com ele. Eu já estou escrevendo a biografia do senador Antônio Carlos Magalhães. Faz parte do meu trabalho. Jornalista que não se interessar por ACM tem que mudar de profissão. Ele é o brasileiro vivo que há mais tempo convive com o poder neste país e o livro, depois de pronto, vai ser um importante documento de tudo o que ele já testemunhou."






