SJPMRJ - O lucro injusto
SJPMRJ - O lucro injusto
Atualizado em 12/05/2006 às 08:05, por
Por: Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro.
SJPMRJ - O lucro injusto
Virou moda entre jornais, revistas e emissoras de rádio e TV a receita de distribuir um percentual generoso dos lucros só para alguns diretores e editores, deixando a massa dos jornalistas sem perspectivas de uma divisão justa do bolo. O fenômeno tem provocado dois efeitos que revoltam os jornalistas e, consequentemente, preocupam este Sindicato. O primeiro é o esforço sobre-humano de alguns diretores e editores para conquistarem uma excelente remuneração extra reduzindo a qualidade do Jornalismo. Antes dessa "generosidade", editores pleiteavam investimentos em grandes reportagens e na disputa por mão de obra de qualidade, ou seja, no diferencial e na qualidade da informação. Hoje é comum o dono da empresa, que nem sempre - ou quase nunca - entende de Jornalismo, ter uma parcela dos editores como aliada no endeusamento do lucro em detrimento do bom Jornalismo. O segundo efeito negativo sobre o Jornalismo é o desprezo aos profissionais da ponta da linha de produção, ou seja, os repórteres, repórteres fotográficos e cinematográficos, subeditores, titulares das editorias menores e dos suplementos, diagramadores, ilustradores etc. Os verdadeiros responsáveis pelo Jornalismo acabam feridos em sua auto-estima, sem o merecido reconhecimento.Será que distribuir participação no lucro para poucos diretores, ignorando as perdas salariais da categoria e negando uma remuneração digna para a quase totalidade dos jornalistas, é uma recompensa justa pelo esforço coletivo para se fazer um bom jornalismo e garantir o lucro dos jornais, revistas, rádios e TVs? Não seria mais justo e inteligente distribuir o excesso do lucro entre todos os responsáveis por ele, melhorando as relações entre líderes e liderados?
Todos estão fazendo um esforço imenso para defender suas empresas na concorrência de um mercado concentrado. Acumulam funções, correm atrás do diferencial e passam a maior parte de suas vidas dentro das redações, na maioria das vezes trabalhando de graça, sem hora extra. Todo esse esforço, algumas vezes, traz benefícios, como o prazer de dar um furo, emplacar uma pauta inédita, ganhar a solidariedade dos colegas e, principalmente, a satisfação de saber que se está fazendo o melhor possível dentro de uma estrutura precária, na qual os salários são direferenciados por faixas que nem sempre seguem critérios legítimos. Frases como "não tem carro", "não tem fotógrafo", "não tem gravador" e "não tem verba para viagem" já viraram piadas rotineiras entre os repórteres. E é assim, aos trancos e barrancos, que a maioria esmagadora dos profissionais segue na batalha para praticar um bom jornalismo.
Essa maioria merece mais reconhecimento. Quando é preciso reduzir custos, todos fazem os sacrifícios necessários à superação das crises. Assim que supera o mau momento com desempenhos espetaculares, como os de 2004 e 2005, a empresa costuma dirigir aos jornalistas o discurso de que a simples garantia do emprego já é a grande recompensa em um cenário ameaçado pelo desemprego. Não estabelece planos de cargos e salários, participação democrática no lucros ou concessão criteriosa de benefícios. As empresas de comunicação no Brasil se situam à distância da modernidade que apregoam em seus editoriais. O respeito ao profissional, regra nas corporações contemporâneas, não consta da agenda prioritária dessas empresas.
É hora de refletir sobre isso, em nome do futuro do Jornalismo no Brasil.






