SJPMG: Sindicato promove mostra de cinema cubano nesta sexta-feira

SJPMG: Sindicato promove mostra de cinema cubano nesta sexta-feira

Atualizado em 15/05/2007 às 18:05, por Redação Portal IMPRENSA*.

SJPMG: Sindicato promove mostra de cinema cubano nesta sexta-feira

O SJPMG promove uma mostra de cinema cubano nesta sexta-feira (18/05), juntamente com a Associação Cultural José Martí de Minas Gerais e o Centro de Referência Audiovisual (Crav) da Prefeitura de Belo Horizonte.

O evento tem entrada gratuita e contará com um debate sobre a produção cinematográfica de Cuba.

Os curtas foram produzidos na década de 60 e mostram a realidade cubana e a conjuntura internacional. Um dos filmes é protagonizado por Sergio Corrieri, um dos diretores atuais do Instituto Cubano de Amizade entre os Povos (Icap). Estarão presentes também as obras dos cineastas Tomas Gutiérrez Alea, Santiago Alvarez, Pedro Chaskel e Octavio Cortazar.

No dia 18 de maio são comemorados 112 anos da morte de José Martí na luta pela independência cubana. Martí era jornalista, poeta e revolucionário.

O evento será realizado no auditório do segundo andar da UNA, na rua Aimorés, 1.451, Lourdes, a partir das 19h.

Mais informações: www.acjmmg.hpg.ig.com.br

O jornalista José Marti

José Martí é um personagem da história do final do século 19 e início do século 20. Jornalista, poeta, revolucionário e cubano deixou um legado importantíssimo para a história do movimento popular nos países da América espanhola, que consistiu na tradução dos ideais de uma nova e nossa América, que superasse a América colonial em crise e sem passaporte cultural definido.

Martí tinha consciência de que os povos luso e hispano-americanos, ao negligenciarmos em relação ao aprofundamento de nossas raízes históricas e culturais, e a defesa de nossa identidade, estaremos condenados a desaparecer num curto espaço de tempo, ou quando muito, nos tornar depositários e reprodutores fiéis de tradições e valores culturais alheios ( como registra Eugênio Carvalho em obra obrigatória para os que iniciam uma instigante jornada, que é conhecer a vida de Martí. Carvalho, 2001,97.p)

A questão da afirmação cultural dos povos é um debate atualíssimo:
As reuniões da 33ª Conferência Geral da Unesco terminaram, em outubro de 2005, com um "sim" para o tratado que defende a diversidade cultural. Foram 151 votos a favor e dois contra - dos Estados Unidos e de Israel.

O tratado quer assegurar, no papel, o direito de um governo promover e proteger os bens culturais da competição internacional. Com o aval da Unesco (da qual o Brasil é membro desde 1946 e Cuba desde 1947), um país pode, por exemplo, cobrar taxas sobre filmes estrangeiros sem ser acusado de violar regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O direito à diversidade cultural é tema reincidente na história da humanidade, fruto dos movimentos de independência. Engajado nas lutas pela construção de uma América soberana, Martí partilhava do debate envolvendo a intelectualidade européia sobre a necessidade da América em crise de resgatar as raízes histórico-culturais e afirmar as identidades, e vislumbrava na afirmação cultural de um povo o verdadeiro valor de nações soberanas.

A vitória anunciada envolvendo o tratado de proteção à diversidade cultural, ainda que parcial, é mais um capítulo deste embate histórico envolvendo o que Martí denominou de nossa América e a outra América. Para que o tratado tenha força, seria importante o consenso. E isso os EUA bloquearam - não sem mal-estar.

As raízes deste mal estar estão no que Martí identificou como a proposta saxônica para a superação da crise colonialista. Esta vertente entendia como o principal obstáculo que se colocava para a América em crise a falta de desenvolvimento industrial, de democracia e de liberdade, trajetória que os EUA, como nação emergente, começava a trilhar e, paradoxalmente, queria e quer impor a todo o continente americano bem como ao planeta.

O modelo civilizatório de democracia ancorada na liberdade e na lógica de mercado traz em seu bojo a barbárie moderna identificada pelo avanço das desigualdades sociais, discriminação racial, um Estado de caráter monopolista e protecionista de sua economia, sempre em conflito com os interesses e a soberania das demais nações.

Pois bem, a análise de Martí reflete a inauguração de uma nova etapa na história do capitalismo, encarnada em uma política expansionista, justificada pelo o que os EUA chamam do direito natural de expandir suas fronteiras, cuja legitimidade se ancora em uma suposta superioridade de raça e de cultura.

Os norte-americanos temem o tratado aprovado e quem lutou por ele teme a fragilidade do documento. Apesar dos discursos animados, os defensores do tratado não estão certos de que terão força para colocar seus princípios em prática.

E o temor não é sem razão:
Segundo Martí, já na América do século 19 podiam-se distinguir dois povos de alma bastante diversa. Ao que denominamos hoje América Latina, era chamada por ele de nossa América, em contraponto a outra América.

Em que consistia esta diferença?
Para Martí, a diferença não se restringia a bases geográficas. O que definia a outra América era a adoção de uma política de defesa de interesses e propósitos ameaçadores que não permitiam a unidade de identidade no continente

De 1889 a 1991, ocorreram em Washington duas conferências internacionais, convocadas pelos EUA, com o objetivo de discutir um projeto único para a América, que estabelecesse tratados comerciais entre os países americanos. Na avaliação do teórico cubano, por meio de empréstimos, construção de canais e linhas férreas, construía-se um novo colonialismo sob a batuta norte-americana, evidenciado na tomada de território mexicano, anexado aos EUA, como foi o caso do Texas.

A prática expansionista norte-americana se justificava em conceitos trabalhados por teóricos e ideólogos competentes que se baseavam inclusive nas leis da Física para legitimar o direito norte-americano de expansão, de se apropriar do que eles consideram donos por necessidade, por superioridade de raça e de cultura.

" Energia acumulada não pode liberar-se senão mediante a expansão" era a explicação . É bom lembrar no entanto, segundo as leis da física, que a toda ação há uma reação, e Martí denunciava o espírito localista como um dos grandes males da nossa América, típica dos povos que não querem se conhecer mutuamente, e reduz o mundo à sua aldeia, sem conseguir ver além dos seus limites.

O conceito de identidade de Martí não se restringe a uma perspectiva estreita, aldeã, provincial, muito menos individual, mas sim, no conceito abrangente de identidade cultural, de autoconsciência de pertencer a uma totalidade:
"Um erro em Cuba é um erro na América, é um erro da humanidade".

Recentemente assistimos a um episódio em que a Revista Veja, uma das principais revistas de circulação nacional no país, deu mostra comprovada do provincianismo com que a intelectualidade brasileira se coloca diante dos últimos acontecimentos no cenário nacional.
Em matéria intitulada "Campanha de Lula recebeu dinheiro de Cuba", o jornalismo brasileiro pecou por vários motivos:
Acusou categoricamente que o dinheiro que abasteceu o suposto caixa dois do Partido dos Trabalhadores teria como uma das fontes o Estado Cubano, sem provas da origem de uma quantia no valor de 3 milhões de dólares (moeda norte-americana)

Também pecou ao ferir o artigo 7º do Código de Ética do Jornalismo brasileiro, que coloca como valor ético da profissão "o compromisso com a verdade dos fatos, e pautar o seu trabalho pela precisa apuração dos acontecimentos, bem como pela sua correta divulgação". Errou grosseiramente ao identificar a montanha de dólares supostamente enviada para a campanha presidencial de Lula como "dinheiro cubano", dando mostrar desconhecimento em relação à moeda daquele país, e sem a prova material de que se tratava de quantia em espécie ou divisa do Banco Central Cubano.

Feriu também a letra D do Artigo 10º do código de ética vigente, ao afirmar que a "ilha de Fidel Castro, onde o dinheiro é escasso até para colocar filtro de água nas escolas, despachou uma montanha de dólares para ajudar a campanha presidencial de Lula. O jornalista deu mostras de "concordar com a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, políticos, religiosos, raciais, de sexo e orientação social" o que é condenado pela ética no exercício profissional de jornalistas brasileiros.

A maneira desrespeitosa com a qual a revista se refere a Cuba e ao povo cubano, indiscutivelmente uma nação soberana e membro de organismos internacionais reconhecidos, como é o caso da Unesco, demonstra preconceito e ignorância do profissional em relação à realidade de um país há mais de 40 anos sob um bloqueio econômico, mas que mesmo nestas condições é detentor de altos níveis em se tratando do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), timidamente noticiado pela mídia nacional e estrangeira.

No momento em que, pelo menos, passa a existir um novo parâmetro para medir as regras que regem a cultura, os desafios que se colocam à ACJM-MG são muitos. Também está no nosso horizonte a discussão sobre uma nova Sociedade da Informação como contraponto à globalização excludente que hoje assistimos.

A realização da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (World Summit of Information Society - WSIS) é a mais recente de uma série longa de cúpulas mundiais organizadas pelas Nações Unidas em que se tratam questões centrais da humanidade, que acontece pela primeira vez na história da ONU, em duas etapas. A primeira parte que aconteceu em dezembro de 2003, em Genebra, será seguida por uma segunda em Tunis, no final de 2005.

É suposto que a cúpula mundial desenvolva um entendimento sobre a sociedade da informação, em que assuntos-chave como o direito ao desenvolvimento; o respeito pelos direitos humanos como princípio e prioridade de desenvolvimento; a justiça social, entendida como igualdade de gênero, de acesso e inclusão a esta sociedade, e o direito à diversidade cultural e lingüística.

* Com informações do SJPMG.


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