SJCE - Sindicato denuncia demissões no O POVO
SJCE - Sindicato denuncia demissões no O POVO
Atualizado em 09/12/2005 às 07:12, por
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SJCE - Sindicato denuncia demissões no O POVO
O Sindicato dos Jornalistas no Ceará denuncia que "dez dias após os jornalistas do O POVO decidirem, em assembléia, que só retomarão as negociações sobre a proposta de banco de horas após o pagamento do passivo de horas extras acumulado desde setembro de 2004, a empresa resolveu engrossar. A reação veio na última sexta-feira, dia 2 de dezembro, quando o jornal demitiu dois repórteres: Raimundo Madeira, da editoria de Cotidiano, e o redator da coluna O POVO nos Bairros, Humberto Ilo, que acumulava a função de repórter da mesma editoria.Ambos tinham laços estreitos com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce). Associados assíduos nas assembléias e manifestações da categoria, Ilo representou o Sindjorce na mesa de negociação durante a última campanha salarial e Madeira participou ativamente das atividades de comunicação e mobilização do sindicato.
Também foram demitidos o repórter-fotográfico Felipe Abud e o subeditor do suplemento Buchicho, Max Krichanã. As jornalistas Ethel de Paula, repórter do Vida & Arte e uma das referências do jornalismo cultural de Fortaleza, e Vanessa Alcântara, repórter da Editoria de Cotidiano e articulista da página de Opinião, pediram demissão.
"O clima no jornal está péssimo. O desestímulo contamina a redação como um todo", afirma a presidente do Sindjorce, Déborah Lima. Para ela, não há dúvidas de que as demissões foram uma retaliação ao Sindjorce por não aceitar a ridícula proposta do jornal de compensar com folgas as horas extras trabalhadas pelos seus jornalistas.
"É preciso denunciar publicamente a postura autoritária de O POVO com os seus jornalistas e o desrespeito da empresa ao Sindicato da categoria. É intolerável saber que o mesmo jornal, que prega em suas páginas a defesa da democracia e da liberdade, cerceia e pune seus profissionais pelo simples fato de exercerem livremente o direito de militância sindical", avaliou a presidente.
Ela acrescentou que as demissões não vão intimidar a diretoria do Sindjorce, que vem sendo atacada pela empresa desde que começou a pressionar, em setembro de 2004, o jornal a pagar as horas extras de seus jornalistas. A Delegacia Regional do Trabalho (DRT) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) confirmaram a irregularidade e obrigaram O POVO a implantar o controle de jornada de seus empregados, até então inexistente.
"Se a intenção do jornal era intimidar a ação fiscalizatória do nosso Sindicato, o tiro saiu pela culatra. As demissões foram um tiro no pé: além de perder excelentes profissionais, agravar o clima de insatisfação e desconfiança dentro da Redação, ainda fortaleceu a luta do Sindicato em defesa dos interesses dos jornalistas", avaliou Déborah.
A Diretoria Executiva do Sindjorce está convocando todos os jornalistas de jornal, revista, assessoria de imprensa, rádio, televisão, colegas sindicalistas, estudantes e professores de jornalismo a participar, nesta sexta-feira, de uma reunião para discutir a realização de um ato em solidadriedade aos colegas do jornal O POVO . A reunião ocorrerá amanhã, dia 9 de dezembro, às 08h00, na sede do Sindjorce, localizado na rua Joaquim Sá, 545, Dionísio Torres.
Empresa alega avaliação
Diretor executivo de redação do O POVO , o jornalista Carlos Ely Abreu negou que a demissão dos colegas seja uma retaliação da empresa às ações do Sindjorce. Segundo ele, a dispensa dos profissionais é fruto de "um processo de avaliação". "São questões de avaliação de desempenho e relacionamento", minimizou.
Carlos Ely argumentou que a empresa tem a "liberdade" de avaliar o desempenho dos jornalistas e fazer "adequação no que achar pertinente". Segundo ele, as vagas desocupadas serão repostas num prazo de um ou dois meses.
Liberdade Sindical
A notícia da demissão de associados militantes do Sindjorce pelo jornal O POVO surpreendeu o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-CE), Francisco de Assis Diniz. " O POVO se caracterizou para a sociedade como um jornal que trabalhou os aspectos da concidadania como valor para inaltecer a ação do homem. Ao retaliar e demitir trabalhadores altamente qualificados, rasga um página da sua história. É lamentável assistir atos dessa natureza. Isso agride a organização dos trabalhadores, o ser humano e a liberdade sindical, conquistada a duras penas e ratificada pelo nosso País através das convenções da OIT (Organização Internacional do Trabalho)", afirmou Deassis.
Para o presidente da CUT-CE, a proposta de banco de horas, na qual a empresa compensa com folgas as horas extras trabalhadas pelos jornalistas, significa para o trabalhador o rompimento da lógica da jornada de trabalho, o aumento do nível de sacrifício do esforço laboral, a redução da capacidade de massa salarial e a inibição da possibilidade de novas contratações de mão de obra.
Solidariedade dos gráficos
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas Gráficas do Estado do Ceará (Sintgrace), José Augusto Oliveira, repudiou a decisão de O POVO de demitir profissionais que militavam ativamente no Sindjorce. "O Sintgrace repudia literalmente todo esse processo que vem sendo desempenhado pelo jornal O POVO de retaliação ao Sindicato dos Jornalistas que, na defesa dos direitos da categoria, não aceita as imposições da administração deste jornal, que insiste em implantar um banco de horas, num total desrespeito aos anseios da categoria. Por conta disso, baseado na intransigência patronal, retalia, ameaçando a base dos companheiros jornalistas com demissões, inclusive forçando pedidos de demissão de pessoas que estão somando com as reivindicações do seu Sindicato", afirmou José Augusto.






