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"Senhoritas Tremembenses" X "Senhoritas Cantareirenses" | por: Valmir Junior - UMESP (SP)

"Senhoritas Tremembenses" X "Senhoritas Cantareirenses" | por: Valmir Junior - UMESP (SP)

Atualizado em 03/11/2005 às 09:11, por Por: Valmir Junior e  estudante de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo (São Bernardo / SP).

"Senhoritas Tremembenses" X "Senhoritas Cantareirenses" | por: Valmir Junior - UMESP (SP)

Segundo a FIFA, a origem do futebol feminino remonta ao século XVII, nas partidas entre mulheres solteiras e casadas na cidade de Inveresk, na Escócia. Tem-se notícia de que em 1896 ocorreu a primeira partida oficial de futebol feminino, entre as seleções da Escócia e da Inglaterra.

Eriberto Lessa Moura, mestre em estudos do lazer pela Faculdade de Educação Física da Unicamp, mostra, em sua dissertação sobre o futebol feminino, como foi a evolução deste tipo de esporte no Brasil desde o início do século XX. "Segundo o livro 'Footballmania', do professor da Unicamp Leonardo Pereira, foram documentadas partidas de futebol feminino no Rio de Janeiro, por volta de 1908 e 1909. Sobre São Paulo, há pouco material a respeito", destacou. Moura relatou que uma das primeiras reais evidências de futebol feminino no estado de São Paulo ocorreu em 1921, na disputa entre o "Senhoritas Tremembenses" e o "Senhoritas Cantareirenses", respectivamente times formados por moradoras dos bairros de Tremembé e Cantareira, na região norte da cidade de São Paulo. O mestre ainda destacou com que olhos as pessoas da época viam tais partidas: "A partida foi noticiada no jornal A Gazeta como uma atração curiosa das festividades de São João. Era algo muito próximo do circense".

Nos anos que se seguiram, principalmente nos anos 40, o futebol feminino foi estigmatizado devido ao movimento higienista. De acordo com a dissertação de Moura, foi também nesta época em que o preconceito surgiu, direcionado em grande parte às mulheres suburbanas, que praticavam o esporte como lazer e competição. "Nessa época, a palavra final era dos médicos, que recomendavam às mulheres a equitação, o tênis e a natação. A prática devia ser leve e bem orientada, com certas ressalvas para que não atrapalhasse a 'beleza das formas femininas' e os órgãos de reprodução", disse.

Apenas nos anos 80 é que times como o Guarani, de Campinas, começaram a despontar profissionalmente entre as mulheres, chegando ao auge nas Olimpíadas de Atenas, no ano de 2004. Hoje, a seleção brasileira feminina de futebol é a quarta colocada no ranking da FIFA, que todo mês elege as dez melhores equipes do mundo. Em São Paulo, é promovido o Campeonato Paulista de Futebol Feminino, que reúne os 46 principais times do Estado. A competição não é amadora. A organização é feita pela Secretaria da Juventude, Esporte e Lazer do Estado em parceria com a Federação Paulista de Futebol.

"O espaço dado ao futebol feminino atualmente é composto pelas Olimpíadas e pelo Campeonato Mundial. Fora isso, não há espaço devido. Há a prática, meninas jogam futsal nas escolas, há torneio e campeonatos em todo o território nacional", falou Moura. "Mas não há uma organização, nem mesmo um incentivo governamental. Além disso, por não ter o apelo do futebol masculino no que diz respeito a patrocínios e venda de ingressos, a mídia ignora esta prática, o que dificulta a divulgação e o crescimento do esporte no país", completou o especialista.