Roda Viva: Alckmin critica Lula, mas mantém bolsa-família

Roda Viva: Alckmin critica Lula, mas mantém bolsa-família

Atualizado em 04/07/2006 às 11:07, por James Cimino/Redação Portal IMPRENSA.

Roda Viva: Alckmin critica Lula, mas mantém bolsa-família

O candidato à presidência da República pelo PSDB, Geraldo Alckmin, esteve nessa segunda-feira (3) na arena do programa "Roda Viva", da TV Cultura, rodeado de lideranças tucanas, entre eles o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati, o também senador paranaense Álvaro Dias e o candidato a vice em sua chapa, senador José Jorge, do PFL de Pernambuco.

Durante pouco mais de uma hora, o ex-governador de São Paulo fez duras críticas ao governo Lula, apesar de ter afirmando que manterá, ampliará e aperfeiçoará o programa social bolsa-família, principal plataforma do candidato à reeleição Luis Inácio Lula da Silva, do PT e, também, principal motivo que mantém o presidente como líder nas pesquisas de intenção de voto.

Outro ponto criticado pelo presidenciável foram as elevadas taxas de juros em vigência no país.

Indagado por telespectadores sobre a questão educacional, disse que sua prioridade é a educação básica (do ensino fundamental ao médio), com a valorização do professor e a manutenção do jovem na escola. "Todos os professores do Estado têm Ensino Superior".

Acusou, ainda, o governo Lula de ter sido negligente com o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). "O governo tem maioria [no Congresso] para absolver o 'mensaleiro' e não tem maioria para votar Fundeb." No entanto, defendeu o sistema progressão continuada, criticando aquilo que chamou de "cultura da reprovação".

Sobre a questão de segurança pública, afirmou que, em seu governo, o assunto será de sua responsabilidade, criticando, mais uma vez, a postura do presidente, de deixar a questão a cargo dos governos estaduais.

Apesar de ter gasto grande parte do tempo do programa apenas apontando os erros do atual governo, Alckmin falou de uma de suas propostas na área social. "Estudo a possibilidade de retirar os tributos sobre o óleo diesel, para reduzir o custo do transporte coletivo na grandes cidades."

Questões Agrárias

Na área da agricultura, Geraldo Alckmin acusou a diminuição da produtividade e da área plantada na safra 2006 e 2007, apesar de se dizer favorável à reforma agrária. "Invasão de terra é outra coisa. Isso não é movimento social", declarou e afirmou, ainda, estar responsabilizando o governo pela situação de saques e invasões promovidos pelo MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra).

Entre outros assuntos, o candidato do PSDB disse que trabalhará "desde o comecinho" de seu governo pela reforma política. Acusou o governo do PT de ser autoritário. Apesar de se declarar favorável à reeleição, disse que o atual modelo proporciona a utilização da máquina pública de maneira "vergonhosa" pelo presidente Lula, que se manterá no cargo. "Eu tive de renunciar ao governo do Estado. O José Serra teve de renunciar à prefeitura."

Sobre as chacotas que fazem com sua imagem, Alckmin se declarou uma pessoa bastante paciente, tendo desenvolvido este sentido como médico anestesista. Sobre o rótulo de "picolé chuchu", declarou: "Levo na esportiva e acredito que as críticas não são a você, mas àquilo que você representa. Se eu não tivesse sido governador, não me criticariam."

Indagado pela reportagem de IMPRENSA se considera as propostas dos outros presidenciáveis (Heloísa Helena, do PSOL, e Cristóvam Buarque, do PDT) melhores que as do presidente Lula, Alckmin declarou "não conhecer direito" tais plataformas, mas destacou o trabalho realizado por Buarque na área da educação.