Roberto Romano sobre Lula: "As audiências com o Papa são muito mais espontâneas que aquelas com jornalistas no Palácio do Planalto"

Roberto Romano sobre Lula: "As audiências com o Papa são muito mais espontâneas que aquelas com jornalistas no Palácio do Planalto"

Atualizado em 23/01/2006 às 11:01, por Denise Moraes | Redação Portal Imprensa.

Roberto Romano sobre Lula: "As audiências com o Papa são muito mais espontâneas que aquelas com jornalistas no Palácio do Planalto"

Em entrevista ao site Repórter Social, o filósofo Roberto Romano analisou a relação governo-imprensa durante a gestão de Lula na Presidência da República.

Romano alega que o presidente é mais "adulado" do que aconselhado: "[ Lula ] está cercado por cortesãos que não têm a força de lhe dizer os elementos que não correm bem no seu governo".

Apesar de reconhecer que a imprensa comete erros, Romano disse que o fato de o governo criticar a imprensa sem citar nomes, generalizando a situação como se fosse vítima dos escribas foi "um grande erro". "Chegaram a sugerir que a imprensa estava orquestrando um golpe. Falo como professor de ética: para se fazer uma acusação destas é preciso dizer nome, endereço, dia e hora...", argumentou.

Além disso, ele criticou a pouca disposição do presidente para entrevistas, considerando que, quando elas ocorreram, foram "rígidas, quase litúrgicas". "O que acho é que precisamos voltar muito rapidamente para um diálogo, um debate. E que as acusações recíprocas sejam feitas de forma saudável, isto é, com nome e endereço. Sem suspeita generalizada. Sem a imprensa não há possibilidade nenhuma de se conhecer o que ocorre no país", comentou.