Ressaca moral no Congresso após absolvição de deputados acusados de receberem mensalão | Por: Warley Mattos - UNICEP (DF)
Ressaca moral no Congresso após absolvição de deputados acusados de receberem mensalão | Por: Warley Mattos - UNICEP (DF)
Atualizado em 13/03/2006 às 15:03, por
Warley Mattos e estudante de jornalismo UNICEP - Brasília.
Ressaca moral no Congresso após absolvição de deputados acusados de receberem mensalão | Por: Warley Mattos - UNICEP (DF)
Por A profecia do ex-deputado Roberto Jefferson está cada vez mais perto de se concretizar. Para quem não se lembra Jefferson foi o político que detonou a crise do mensalão ao delatar o submundo das relações do governo com a base aliada. Após perder o mandato Jefferson previu que apenas ele e José Dirceu seriam cassados. E de fato foram.Entretanto, é possível sentir cheiro de orégano exalando no Congresso Nacional. A pizza foi ao forno quarta feira (8/3), quando foi votado no plenário da Câmara os processos de cassação dos deputados professor Luizinho (PT-SP) e Roberto Brent (PFL-MG) acusados de receberem dinheiro de Marcos Valério na campanha eleitoral de 2004. Os dois deputados foram absolvidos por seus pares graças a um acórdão patrocinado pelo PT, PFL e PSDB e com uma "singela" participação do governo que acompanhou atento o desdobramento do caso. A imprensa só restou noticiar o que todos sabiam o que ia acontecer.
A ressaca moral que seguiu a absolvição dos parlamentares atingiu de cheio o Conselho de Ética da Câmara que trabalhou intensamente nos últimos meses para levantar provas irrefutáveis da culpa dos deputados. Mas, o espírito corporativista e o medo de serem a próxima vítima sobressaíram à razão e ao desejo da sociedade. Qual o parlamentar que nunca fez caixa 2? Episódio corriqueiro em campanhas eleitorais. Então porque cassar colegas por um crime que é cometido pela maioria?
O presidente do Conselho de Ética da Câmara, Ricardo Izar (PTB_SP) ficou revoltado com a compaixão dos deputados que votaram pela absolvição de Brent e Luizinho. Para ele os parlamentares não votaram de acordo com o relatório "votaram com base na amizade e na biografia dos acusados", reagiu Izar em tom de desabafo.
Corre pelos corredores do Congresso a tese de que outros deputados que estão com a corda no pescoço poderão se livrar da cassação, pois está consolidada a jurisprudência de que os crimes que cometeram não é passível de punição. Se não houve mensalão porque Dirceu foi cassado como chefe e mentor intelectual do esquema? Diante desses fatos é fácil concluir que no Congresso há um peso e duas medidas. Abriram a porteira da impunidade.






