Reajuste salarial: E agora, José?, por Warley Mattos*

Reajuste salarial: E agora, José?, por Warley Mattos*

Atualizado em 18/12/2006 às 12:12, por .

Reajuste salarial : E agora, José?, por Warley Mattos*

*Warley Mattos é estudante de jornalismo do UniCesp Enquanto o governo argumenta que houve uma redução das metas de crescimento e que o reajuste no valor do salário mínimo pretendido pelas centrais sindicais - R$ 400 - teria impacto significativo nas contas públicas, o Congresso nacional segue na contra-mão. Senadores e deputados resolveram aumentar os próprios salários. O fato está consumado. E a opinião pública perplexa.

É claro que os nobres parlamentares têm direito a reajustes salariais. Mas não da maneira como foi. Na surdina, ao apagar as luzes do ano legislativo. Não houve diálogo com a sociedade nem transparência. O que houve foi abuso de prerrogativas. Algo imoral e repulsivo.

Sob o pretexto de equiparar seus salários aos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal, os parlamentares aumentaram em 91,4% o próprio ordenado. Dos atuais R$ 12.847 para R$ 24.600 mensais. Isso sim afeta expressivamente as contas publicas e chega a ser vergonhoso. É um assalto aos cofres públicos feito de forma elegante. Apenas com uma caneta Montblanc.

Somando as verbas indenizatórias, auxilio moradia e tantas outras regalias que não fazem parte da benesse dos trabalhadores brasileiros, cada representante do povo não sai por menos de R$ 110 mil reais por mês. E olha que são 513 deputados e 81 senadores.

Sem falar do efeito cascata do ato. Que com toda certeza vai ser reproduzido nas assembléias legislativas estaduais e câmaras de vereadores. O teto salarial dos magistrados é um parâmetro, uma referência para a remuneração do funcionalismo público. Não é um direito reivindicado pelos políticos.

A maioria das excelências não depende desse dinheiro para sobreviver. São prósperos empresários que atuam em diversos ramos de negócios: imobiliário, educação, telecomunicações, alimentação agropecuária e fé. Outros estão com bolso cheio da grana do mensalão, sanguessugas, vampiros e outros esquemas que ainda não vieram à tona.

E agora, José?, como os pobres dos trabalhadores poderão melhorar sua renda?

Jogar na Mega Sena ou comprar um carne do Baú e ficar torcendo para Silvio Santos sortear a bola premiada? Seria mais fácil candidatar-se a uma vaga de deputado ou senador na próxima eleição, pois assim, pelo menos haveria uma maior distribuição de renda.