"Conturbada": New York Times analisa relação de Hugo Chávez com a imprensa

"Conturbada": New York Times analisa relação de Hugo Chávez com a imprensa

Atualizado em 01/12/2006 às 12:12, por Redação Portal IMPRENSA.

"Conturbada" : New York Times analisa relação de Hugo Chávez com a imprensa

O jornal norte-americano The New York Times fez, na sua edição de hoje (01/12), uma análise in loco da relação do presidente venezuelano Hugo Chávez, que tenta a reeleição, com a imprensa de seu país.

Simon Romero, enviado especial à cidade de El Tigre, teve seu artigo traduzido na Folha de S. Paulo desta sexta-feira. Ele começa o texto lembrando o assassinato do jornalista Jesus Flores Rojas, em agosto - o terceiro morto neste ano.

"Não está claro se esses crimes estão relacionados ao trabalho das vítimas", escreve Romero. "Mas, segundo grupos dos direitos humanos, os homicídios e outros exemplos de agressão a jornalistas apontam para uma tendência à intimidação, mesmo que a imprensa continue a florescer sob Hugo Chávez".

Para o NYT , o ambiente para a mídia venezuelana é "aberto e ruidoso", a despeito de tenso - e das críticas da oposição. "O número de jornalistas mortos fica atrás do registrado na Colômbia e no México", mostra, aproveitando para lembrar que as tensões parecem ter se reduzido.

"Mas Chávez e suas políticas continuam a ser criticados a cada dia na TV, no rádio e nos grandes diários de Caracas", afirma o texto. "Enquanto isso, os veículos de imprensa favoráveis a Chávez, muitos dos quais com os cofres repletos devido ao faturamento com publicidade do governo, atacam a oposição política com veemência".

O jornalista finalizou sua análise lembrando falas recentes de alguns ministros, que ameaçaram cortar concessões e criar medidas de regulação da mídia em um eventual segundo mandato do venezuelano.

"Ministros do governo apontam que nenhum jornalista está preso por criticar o governo da Venezuela", conta. "Ainda que leis redigidas de maneira vaga tenham tornado mais severas as penas por difamação e ampliado o escopo das normas referentes a desrespeito para com funcionários públicos. Outras leis permitem que o governo suspenda as transmissões ou revogue as licenças de estações cuja programação seja considerada incitação a distúrbios".