Questão de Ordem: Presidente da Ordem dos Jornalistas da Itália fala sobre a situação da mídia em seu país
Questão de Ordem: Presidente da Ordem dos Jornalistas da Itália fala sobre a situação da mídia em seu país
Questão de Ordem : Presidente da Ordem dos Jornalistas da Itália fala sobre a situação da mídia em seu país
Por Foto: Joca DuarteEm visita ao Brasil, presidente da Ordem dos Jornalistas da Itália falou sobre a situação dos profissionais da mídia em seu país e defendeu a necessidade do diploma para o exercício da profissão.
Nada de diploma. Trabalhar por dezoito meses em um órgão da imprensa - seja ele de pequeno, médio ou grande porte - é o primeiro passo para quem deseja se tornar jornalista na Itália. Depois deste período, basta ser aprovado em uma exame da Ordem dos Jornalistas do país e, pronto, não há impedimentos para que se exerça a profissão.
Assim explica Lorenzo Del Boca, presidente da Ordine Dei Giornalisti (Ordem dos Jornalistas da Itália), que vem brigando há quinze anos pela obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo em seu país. "Em pleno terceiro milênio, não podemos aceitar que um jornalista se forme apenas exercendo a profissão", acredita.
Del Boca esteve no Brasil para participar do II Workshop da Imprensa Brasileira, Italiana e Ítalo-Brasileira, que aconteceu no dia 15 de setembro, no prédio da Fiesp, em São Paulo. Um dia antes do evento, ele foi à sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo para falar sobre a situação dos jornalistas na Itália. Também vieram os membros da diretoria da ordem Ennio Bartolotta e Alberto Fumi, e o coordenador dos jornalistas italianos no mundo Franco Po.
Órgão Fiscalizador
A ODG é uma instituição de direito público autônoma. Isso quer dizer que ela não possui vínculo direto com o governo. E, diferentemente de um sindicato, a filiação à ordem é obrigatória a todos os jornalistas.
Cada profissional paga à instituição uma anuidade equivalente a 110 dólares. Quem não estiver em dia com esta taxa será chamado por uma das sedes regionais da ODG, espalhadas por diferentes estados, para se justificar. Caso o motivo da inadimplência não seja dificuldade financeira e o jornalista se negue a pagar a anuidade, pode ter sua habilitação cassada.
O mesmo é válido para os que trocam o jornalismo por outra profissão. Enquanto estiverem exercendo funções de administradores, relações públicas ou diferentes atividades, têm a licença de jornalista suspensa. Se decidirem retornar à profissão, ela passa a valer novamente.
Assessor x Porta-voz
Assessores de imprensa, na Itália, são jornalistas que trabalham para parlamentares ou para o governo, por exemplo. Aquele reconhecido no Brasil como assessor, que presta serviços a uma empresa privada, lá é chamado de porta-voz e não é considerado jornalista. "Ele, na realidade, amplifica a palavra do dono do negócio", explica Del Boca.
A jornada diária de um jornalista italiano é de sete horas e quinze minutos, com direito a uma folga semanal. O salário varia conforme o tamanho e a importância do veículo. Um repórter do Corriere della Serra , um dos principais jornais do país, recebe de 4 mil a 4.500 dólares mensais, enquanto um funcionário de um veículo menor recebe cerca de 1.270 dólares.
Fiscalização sem controle da liberdade
"Um jornalista precisa ser mais do que uma pessoa que lê e escuta". Com esta frase, Del Boca explicou ao público presente no SJSP por que considera essencial a necessidade do curso superior de jornalismo. Participaram da conversa representantes da Associação Paulista de Imprensa (API), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Sindicato Nacional das Empresas de Comunicação (SINCO), da Associação de Cartunistas do Brasil (ACB), da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e do Fórum Nacional da Democratização da Comunicação (FNDC).
Respondendo a uma pergunta sobre a atual prática de designar funções distintas a um mesmo profissional, o italiano declarou: "Se eu posso dirigir um carro, não posso pilotar um avião. Quem sabe escrever escreve, não fotografa".
O presidente da ODG defendeu o jornalismo democrático, aquele que, acredita, ouve todos os lados e encontra a verdade. Disse, também, que a ordem continuará lutando contra as empresas que pretendem atrapalhar o objetivo de tornar digna a profissão do jornalista.
Para Del Boca - e para os defensores da criação do Conselho Federal de Jornalismo no Brasil -, a existência de um órgão fiscalizador é uma maneira de formalizar e organizar a profissão, e não de controlar a liberdade do profissional. "A ignorância, sim, é uma limitação da liberdade", conclui. 





