Polêmica: Diretor de Jornalismo da Globo ataca críticas de editor da Folha a cobertura da violência no "JN"

Polêmica: Diretor de Jornalismo da Globo ataca críticas de editor da Folha a cobertura da violência no "JN"

Atualizado em 27/03/2007 às 10:03, por Redação Portal IMPRENSA.

Polêmica : Diretor de Jornalismo da Globo ataca críticas de editor da Folha a cobertura da violência no "JN"

Ali Kamel, diretor-executivo de Jornalismo da TV Globo, envolveu-se em nova polêmica nesta semana.

Se durante as eleições do ano passado ele bateu de frente com Mino Carta e Paulo Henrique Amorim, agora a briga é com Fernando de Barros e Silva, editor de "Brasil" do jornal Folha de S. Paulo .

Em artigo veiculado na edição de segunda-feira (26/03) do jornal, aproveitando o gancho de pesquisa que mostrou que a violência é a principal preocupação do brasileiro, Silva criticou o modelo de cobertura adotado nas últimas semanas pelo "Jornal Nacional" sobre o tema.

"Seria decerto simplista atribuir tal resultado apenas à exposição do assunto na mídia. Mas ignorar o alcance desse aspecto seria outro erro, maior", opinou. "Parece claro (...) que a Rede Globo capitaneia, pelo menos desde a morte de João Hélio, uma campanha por `justiça já´ que só tende a reforçar, ainda que involuntariamente, o caldo de cultura a favor do aprofundamento das injustiças do país".

Segundo a opinião de Silva, a cobertura da emissora carioca mistura clamor punitivo com alarmismo social.

"Serve como exemplo o reality show macabro protagonizado diariamente em horário nobre pelos pais do menino brutalmente assassinado. O `JN´ os transformou em celebridades", acredita. "A hiperexposição perversa do casal faz com que a dor inominável daquela família seja triturada num liqüidificador emocional até o ponto de servir de alimento ao desejo coletivo de vingança e morte".

O enfático artigo intitulado "Show de violências", como era de se esperar, não agradou a TV Globo, que, por meio de Kamel, enviou carta reproduzida no "Painel do Leitor" da Folha desta terça.

O diretor da emissora optou por elencar uma série de dados e levantamentos da quantidade de matérias para contrapor-se a Barros e Silva.

"A Rede Globo não está em campanha, apenas noticia os fatos. E a violência em nosso país atinge níveis alarmantes. É sua obrigação proceder assim", opina, para em seguida lembrar: "Como é também obrigação da Folha ".

Citando editorial do jornal que "cobrou providências imediatas do Congresso, `pois a situação ultrapassou todos os limites do tolerável´", Kamel afirma que, nos últimos 47 dias, o tema criminalidade teve destaque todos os dias na primeira página da Folha e rendeu 193 reportagens.

"Sobre João Hélio, a Folha publicou 33 reportagens em 18 dias: o jornal publicou fotos do casal em oito ocasiões", mostrou. "Sobre o assassinato do menino, o `Jornal Nacional´ publicou apenas 13 reportagens, todas com imagens dos pais do menino. E houve 78 reportagens sobre o tema violência".

"O leitor da Folha que assiste ao `Jornal Nacional´ é testemunha de que a ênfase dos dois veículos, quando o assunto é violência, é bem parecida: ambos cumprem com sua obrigação de informar", finaliza.