Pesquisa IMPRENSA/MaxPress/Aberje: Quanto menor a cidade, menor a liberdade de imprensa

Pesquisa IMPRENSA/MaxPress/Aberje: Quanto menor a cidade, menor a liberdade de imprensa

Atualizado em 14/06/2007 às 11:06, por Pedro Venceslau/Redação Revista IMPRENSA.

Pesquisa IMPRENSA/MaxPress/Aberje: Quanto menor a cidade, menor a liberdade de imprensa

Por No chamado Brasil profundo, os conflitos entre o poder de fato e a imprensa costumam ser resolvidos no âmbito local. Isso significa que os jornalistas invariavelmente levam a pior. De tempos em tempos, casos de violência ou abuso de autoridade são pinçados pela mídia dos grandes centros ou entidades de defesa da categoria e transformados em símbolo da luta inglória que é ser jornalista nas pequenas cidades.

A maioria dos entrevistados na pesquisa IMPRENSA/MaxPress/ABERJE sobre liberdade de imprensa, publicada na edição de junho da revista, acredita que o livre exercício da profissão é mais arriscado nos chamados grotões. Quanto menor a cidade, menor a liberdade de imprensa. Essa é a opinião de 85% dos entrevistados. Apenas 15% discordam dessa afirmação. "Para os jornalistas, conviver com a falta de liberdade e a pressão no trabalho é questão de sobrevivência. Já ouvi muitos argumentos do tipo: 'se eu ficar resistindo a tudo isso, não terei emprego. Por isso, preciso me submeter'", opina Romário Schettino, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal.

Outro dado revelador da pesquisa mostra a origem e a fonte da pressão. Para 68% dos entrevistados a pressão econômica é pior que a pressão política. Os jornalistas acreditam, ainda, que as redações têm pouca autonomia sobre a cobertura. Para 57% dos ouvidos pela pesquisa, é a direção do jornal que define a pauta. 21% acreditam que a linha editorial parte dos políticos locais e 14% dos anunciantes. "Nós entendemos que essa realidade de pressão econômica tem diminuído ao longo do tempo, principalmente nos grandes jornais e nas grandes emissoras de rádio e televisão. Esse dado é mais perceptível nos veículos do interior. O leitor e o espectador de hoje tem uma capacidade crítica muito grande. Se ele percebe essa pressão, a credibilidade do veículo é arranhada", avalia Daniel Slaviero Pimentel, presidente da ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão).

Ainda segundo a pesquisa, a linha editorial é baseada em dois pilares: para 73% dos entrevistados, os veículos definem suas posições baseados em interesses comerciais e ideológicos.