Pesquisa IMPRENSA/ABERJE/MaxPress: Redações brasileiras sofrem menos pressão do governo que as argentinas
Pesquisa IMPRENSA/ABERJE/MaxPress: Redações brasileiras sofrem menos pressão do governo que as argentinas
Pesquisa IMPRENSA/ABERJE/MaxPress : Redações brasileiras sofrem menos pressão do governo que as argentinas
PorNo Brasil, 15% dos profissionais de imprensa sentem pressão de órgãos do governo sobre sua atividade. Em estudo idêntico, feito na Argentina, essa proporção é três vezes maior
Carinhosamente chamado pelos argentinos de "El Pinguino", devido a sua inegável semelhança com os pingüins argentinos, o presidente Néstor Kirchner não protagonizou, até agora, nenhum grande escândalo de corrupção. Sua popularidade é tão alta que seus partidários levaram a ampla maioria das cadeiras do Senado e do Congresso nas últimas eleições legislativas, que aconteceram em novembro. Apesar dessa persistente lua-de-mel com a opinião pública, nem tudo são flores na relação entre o governo Kirchner e as redações. Pesquisa encomendada pelo Fórum dos Jornalistas Argentinos e publicada semana passada na imprensa local mostra que um espectro ronda a mídia dos nossos vizinhos: a dependência da verba publicitária oficial.
Informa a pesquisa que 45% dos profissionais de imprensa argentinos sentem pressão dos órgãos do governo sobre sua atividade. Outro dado importante: 69,5% dos entrevistados sentem forte influência do departamento comercial dos veículos sobre seu trabalho, enquanto apenas 28,4% dizem que não sentem pressão nenhuma.
Informa a pesquisa IMPRENSA/ABERJE/MaxPress, que será publicada em duas etapas (sendo a primeira na edição de janeiro da Revista IMPRENSA), que nas redações brasileiras a pressão é bem menor, pelo menos na opinião dos jornalistas. Apenas 15% dos 405 entrevistados, que representam redações de todos os estados brasileiros, afirmaram que sentem pressão do governo sobre sua atividade. A ampla maioria - 84% - disse que não sente pressão do governo. Dizem os opositores, poucos, mas estridentes, que o alto endividamento das emissoras e a falta de publicidade, resultado de uma economia sem muitos investimentos, fizeram com que a adesão ao governo se tronasse generalizada. Dos cinco canais abertos existentes, três não passam um dia sem veicular reportagens apologéticas ao presidente. Parece óbvio que o forte apoio dado pelas emissoras de tevê seja um importante fator para a manutenção da popularidade Kirchner. Enquanto perdurar a generosidade das verbas publicitárias governamentais, os erros da gestão Kirchner jamais serão vistos.
Entenda a pesquisa IMPRENSA/ABERJE/MaxPress
O objetivo central da pesquisa, que foi realizada entre os dias 29/11 e 2/12, foi fazer uma ampla avaliação, entre os jornalistas que trabalham em redação, da área de assessoria de imprensa no Brasil. A metodologia empregada foi quantitativa, com amostra aleatória a partir do cadastro MaxPress de jornalistas de todos os estados. Foram realizadas 405 entrevistas. A primeira parte da pesquisa, que apontará os setores da economia mais transparentes no contato com a imprensa, será publicada na edição de janeiro de IMPRENSA.






