Pensata: Cesar Giobbi e a coluna do meio, por Pedro Venceslau

Pensata: Cesar Giobbi e a coluna do meio, por Pedro Venceslau

Atualizado em 30/08/2006 às 19:08, por Pedro Venceslau*.

Pensata : Cesar Giobbi e a coluna do meio, por Pedro Venceslau

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Por prazer e dever de ofício recebo em casa dois jornalões paulistas e um carioca.

Uma das minhas diversões prediletas, antes do café da manhã, é colocar lado a lado Folha , Estadão e O Globo para comparar o desempenho e a criatividade de cada um na edição do dia que começa. Depois dos editoriais, das notícias de Brasília, do esporte e das colunas políticas, finalmente chego nas colunas sociais. Meu prato predileto, diga-se. Ancelmo Góis, pelo O Globo , Mônica Bergamo, pela Folha de S.Paulo e Cesar Giobbi, pelo Estadão . Os três são concorrentes diretos no segmento das notas curtas e quentes.

Essa trinca de perdigueiros trabalha com dois tipos de matéria-prima: fontes seguras e releases. Sabemos que no mercado das assessorias de imprensa (ou comunicação empresarial) Cesar, Mônica e Ancelmo são objeto de desejo. Recebem, portanto, centenas de releases e telefonemas de assessores em busca de um lugar ao sol. Faz parte do jogo.

Nunca vi nenhum deles reclamar publicamente desta relação de mão dupla. Nesta quarta-feira, porém, uma integrante da equipe de apuração de Cesar Giobi decidiu enviar um e-mail coletivo para suas fontes – leia-se assessores de imprensa – passando um pito geral. “Ponham a cabeça para funcionar e enviem notas boas! Sejam "assessores da imprensa" (e não somente dos seus clientes). Daqui pra frente esta será a nossa moeda de troca. Sejam boas fontes e não pedintes!!!!!”, disparou Karla Sarquis, da coluna de Giobbi. A reação ao “desabafo” da ajudante do colunista social do Estadão foi imediata. O e-mail com a bronca foi repassado a milhares de profissionais de agências de comunicação.

O curioso é que não me lembro qual foi o último furo de reportagem de Cesar Giobbi. Ancelmo e Mônica contam belas histórias, dão noticias em primeira mão e tiram sacadas da cartola. Vira e mexe são eles quem pautam o noticiário do dia seguinte. Já o espaço de Cesar Giobbi no Estadão , por onde circulam ricos, famosos e tucanos, não costuma usar a ironia fina. Eles levam a sério as peripécias de Lu Alckmin entre os menos favorecidos, as obras de Gabriel Chalita, e o glamour...

Como leitor faminto de jornais e assinante do Estadão , tenho a impressão de que a coluna do Giobbi é a que mais precisa dos releases para sobreviver.

*Pedro Venceslau é editor-executivo da revista IMPRENSA

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