Paraná: Requião acusa jornalistas de fazer campanha para adversário

Paraná: Requião acusa jornalistas de fazer campanha para adversário

Atualizado em 01/11/2006 às 13:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Paraná : Requião acusa jornalistas de fazer campanha para adversário

Em entrevista coletiva repleta de ironias concedida anteontem (30/10) no Palácio Iguaçu, um dia depois de sua reeleição, o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), acusou a imprensa de fazer campanha para seu adversário, o senador Osmar Dias (PDT).

As TVs RPC e Globo, a rádio CBN e os jornais Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo foram classificados de "faccionistas". Representantes destes veículos foram hostilizados e constrangidos, segundo a Folha de hoje (01/11).

A Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão, Abert, repudiou as atitudes de Requião, classificadas de "afronta direta à liberdade de imprensa e dos pilares do Estado Democrático e de Direito".

O governador foi agressivo e desrespeitoso, na visão da entidade. Para o Sindicato dos Jornalistas do Paraná, deselegante e truculento.

A assessoria de Requião considerou as críticas uma reação equivocada, que defendem "não a liberdade de imprensa, mas a liberdade das empresas de manifestarem suas opiniões".

Durante a coletiva, os repórteres da Gazeta do Povo foram acusados de trabalhar para um "diário oficial da oposição". O veículo, ao lado da RPC, teria sido responsável, na visão do governador, pela queda de 20 pontos percentuais nas pesquisas de intenção de voto ao usar, "sem escrúpulos", sua ausência a uma sabatina.

À correspondente da Folha em Curitiba foi atribuída a divulgação de uma notícia de um suposto apartamento da família Requião em Paris - quando o jornal havia repercutido denúncia do candidato Osmar Dias e contestação de Requião em matéria sobre um debate.

Com ironia, o peemedebista parabenizou a repórter da CBN pela "excelente boca-de-urna que fez" por Dias; o pedetista liderou durante quase toda a apuração.

"Os jornalões do Brasil reproduziram as canalhices locais com a pior ética possível, mostrando um facciosismo absolutamente insuportável para um regime democrático", arrematou. "O que houve [na campanha] foi um bombardeio contra a imagem pessoal do governador, com a colaboração da RPC, dos jornalões, da Gazeta do Povo , da CBN, que quase nos derrotou".

Em recente a este Portal IMPRENSA, Mari Tortato, correspondente da Folha em Curitiba, informou que é hábito de Roberto Requião responder com agressividade a perguntas que possam intimidá-lo.