Parada: Militantes saem às ruas em solidariedade ao Estado de Oaxaca, por Luciana Albuquerque*

Parada: Militantes saem às ruas em solidariedade ao Estado de Oaxaca, por Luciana Albuquerque*

Atualizado em 28/11/2006 às 11:11, por .

Parada : Militantes saem às ruas em solidariedade ao Estado de Oaxaca, por Luciana Albuquerque*

*Luciana Albuquerque é aluna do curso de Jornalismo da Universidade Cidade de São Paulo A primeira marcha da Parada Negra realizada no último dia 20 de novembro se uniu a um ato de solidariedade ao estado de Oaxaca no México, que reunia manifestantes na Avenida Paulista em frente ao prédio da TV Gazeta e, ao cruzarem com a Parada Negra, foram convidados a seguirem até a Assembléia Legislativa.

O estado de Oaxaca vive desde o mês de maio uma revolução e é cenário de violência entre militantes e a polícia federal. As manifestações começaram com uma greve de professores que reivindicavam aumentos salariais. O governo respondeu com repressão contra os professores e o povo se uniu em sinal de indignação à favor deles. Assim foi criada a APPO, Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca, que agora também reivindica que o estado seja gerido pelo povo, através de assembléias populares.

A manifestação teve adesão de diversos grupos e organizações, como o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), LER-QI (Liga Estratégia Revolucionária - Quarta Internacional), FT (Fração Trotskista - Quarta Internacional), Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), Revolutas, Exército de Palhaços, AnarcoPunks, além de participantes de movimentos, mas que foram independentes, como diz Vitor Ghidini do MPL (Movimento Passe Livre), que teve alguns de seus membros no ato: "O MPL, enquanto movimento social, não manifestou apoio ou desacordo com o que ocorre em Oaxaca. Porém alguns militantes do movimento, enquanto indivíduos resolveram se juntar ao ato".

Rodrigo Thiago de Souza, militante da LER-QI, diz que não foi proposital que os dois eventos ocorressem na mesma data. "Não dá pra esperar, pois hoje crianças e mulheres estão morrendo na mão da polícia dentro da cidade", contesta Rodrigo. Segundo ele, "a APPO e os Sindicatos Nacionais do México tiraram um dia de greve geral e fizeram um chamado aos partidos de esquerda e aos movimentos que reivindicam no campo da revolução, para que realizassem atos nos seus países contra a Polícia Federal e em defesa de Oaxaca".

A LER-QI é parceira da LTS ( Liga de Trabajadores por el Socialismo ) do México, e de outros grupos na América Latina, que também estão se solidarizando com a situação de Oaxaca.

O principal órgão de comunicação que está divulgando o que acontece em Oaxaca e que também esteve presente no ato é o CMI (Centro de Mídia Independente). Um dos militantes presentes no ato, Bruno Machion, membro do Centro Acadêmico de Serviço Social da PUC e da Juventude do PSTU diz que estão pensando em passar também nas escolas e nas universidades informando as pessoas sobre o que está acontecendo em Oaxaca.

"A mídia internacional faz questão de esconder e esse papel é nosso também. Além desse ato de solidariedade, informar os estudantes e trabalhadores, o pessoal da juventude, sobre o que está acontecendo lá", afirma Bruno.

No mesmo dia aconteceram atos em outras cidades do Brasil como Marília, Rio de Janeiro e Brasília.