Os desafios do narrador jornalístico pós-moderno | por André Victor Sartorelli, do Mackenzie
Os desafios do narrador jornalístico pós-moderno | por André Victor Sartorelli, do Mackenzie
Os desafios do narrador jornalístico pós-moderno | por André Victor Sartorelli, do Mackenzie
Com um mundo cada vez mais equipado tecnologicamente, a informação e o papel dos jornalistas têm sofrido diversas mudanças. Longe dos fatos, das fontes e obrigados a desenvolverem um relato padronizado, muitos profissionais da imprensa vivem atualmente um dilema. Afinal, o que o próprio jornalista pós-moderno pode fazer para realizar um melhor trabalho?
A imprensa desenvolveu-se a partir do final do século XV e consistiu inicialmente na publicação de informativos e decretos sobre as atividades econômicas e as decisões do Estado. Toda essa publicação funcionava mediante pagamento, o que reforça o caráter comercial da imprensa desde seu início.
Não foi apenas o caráter comercial que transformou o modo de narrar, mas sim fatores ligados ao progresso tecnológico. Tal progresso acabou ditando também a forma de as pessoas viverem e relacionar-se mundialmente. Hoje, os países mais ricos e poderosos são aqueles que podem usufruir tecnologias avançadas e pioneiras. O mesmo verifica-se nas empresas midiáticas.
As inovações tecnológicas refletiram numa redução de custos às empresas jornalísticas. Dessa forma, os profissionais têm na tela do computador informações em "tempo real" sobre qualquer acontecimento de qualquer lugar. Por outro lado, o jornalista perdeu vínculos fortes com suas fontes e está distante da captação das informações na área em que estas ocorrem.
A credibilidade - que é considerada o maior bem de um narrador jornalístico fica prejudicada à medida que os repórteres nem sempre são as testemunhas dos fatos.
A influência do jornalismo norte-americano trouxe o lead, bem como os manuais de redação e provocou uma padronização dos "historiadores do presente". A profissão jornalística tornou-se muito impessoal, os relatos ficaram frios.
O crítico literário Silviano Santiago acerta ao definir o narrador pós-moderno como uma espécie de "leitor diferenciado", capaz de articular a experiência do olhar. É a partir dessa constatação que os jornalistas devem saber lidar com os desafios que lhe são oferecidos.
Os profissionais da imprensa devem preocupar-se em aprimorar sempre seus repertórios culturais para que façam um relato crítico, criterioso e investigativo, ou seja, com a maior proximidade possível de tudo o que vai ser transmitido aos receptores. Deve-se tomar cuidado para que a intenção de escrever com neutralidade não se transforme em um relato vazio.
Somente trabalhando sempre com amor à profissão, com discussões, desenvolvimento de idéias e novos desafios é que o jornalista do século XXI conseguirá ter a certeza de que está cumprindo com exatidão o seu brilhante papel junto à sociedade.






