Ocupação: Nova rodada de negociações na USP acontece hoje, às 14h00
Ocupação: Nova rodada de negociações na USP acontece hoje, às 14h00
Ocupação: Nova rodada de negociações na USP acontece hoje, às 14h00
Foto: Frente do prédio da reitoria da USP; crédito: Comitê de Imprensa da Ocupação.
Uma semana de ocupação. Nesta quarta-feira (09/05) completa-se uma semana da ocupação da reitoria da USP por 350 estudantes da universidade.
Segundo informações do "Blog da Ocupação" (uma verdadeira "redação" improvisada pelos alunos no gabinete da reitoria da USP), uma nova rodada de negociações está acontecendo nesta tarde, com a presença da reitora Suely Vilela.
Entenda a manifestação dos alunos
Na última quinta-feira (03/05), por volta das 17hs, os universitários ocuparam o gabinete da reitoria, reivindicando a revogação dos decretos do governador José Serra de fevereiro deste ano, que, segundo os alunos, interferem na autonomia das universidades públicas.
Segundo informações do Jornal da USP , as cinco principais reivindicações do movimento são: que a Reitoria da USP se posicione publicamente a respeito dos decretos do governo estadual sobre educação, autonomia universitária e criação da Secretaria de Ensino Superior; atendimento da demanda de moradia estudantil em todos os campi, com construção imediata de três novos blocos no Crusp (Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo) e reforma dos existentes; contratação de professores de acordo com a necessidade de cada unidade e liberação das vagas de docentes aposentados; reforma dos prédios da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), do Instituto de Matemática e Estatística (IME) e do Departamento de Fonoaudiologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Fofito); realização de uma reunião aberta do Conselho Universitário, tendo os decretos do governo estadual como pauta.
Além disso, os estudantes também querem que a Reitoria se comprometa a não punir nem tomar medidas de retaliação contra os alunos que participaram do movimento.
O motivo da ocupação, segundo informações do Comitê, foi o fato de a reitora Suely Vilela, convidada pelos alunos para discutir os decretos e a autonomia em audiência pública, informou que não compareceria, mas que enviaria o vice-reitor, Franco Lajolo. Na data marcada (16hs, do dia 03/05), porém, ninguém apareceu.
Os alunos, então, decidiram ir até a entrada da reitoria para apresentar ao vice-reitor a pauta de reivindicações. Após seguranças da Guarda Universitária terem tentado impedir a entrada dos estudantes, os universitários decidiram ocupar a reitoria. Para tanto, as grades da entrada do prédio foram arrancadas, a porta principal destruída e uma porta de vidro do gabinete da reitoria foi quebrada.
Autonomia das universidades
A polêmica teve início com a determinação do governador José Serra (PSDB-SP), em fevereiro deste ano, de que o Conselho de Reitores das universidades estaduais passasse a ser presidido pelo titular da recém-criada Secretaria do Ensino Superior, José Aristodemo Pinotti.
Depois, o governo, através de decreto, proibiu qualquer órgão estadual (inclusive as universidades, que, até então, tinham autonomia para administrar seus recursos) de contratar funcionários.
Além disso, Serra não autorizou o repasse do Orçamento estadual referente ao mês de dezembro. A medida, classificada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) como violação da autonomia universitária, provocou reações dentro e fora das universidades paulistas. USP, Unesp e Unicamp chegaram, à época, a ameaçar que não voltariam as aulas após o carnaval.
Após reunião com os três reitores destas universidades, porém, Serra recuou. Juntamente com o secretário Pinotti, os dois explicaram as medidas adotadas. Segundo o governador, não houve intenção de interferir na autonomia das universidades.
No encontro, o secretário Pinotti explicou aos reitores que nem ele nem o próprio governador sabiam que a mudança da presidência do Conselho de Reitores causaria tamanha polêmica e que, diante disso, pediu para que o decreto fosse modificado de modo a devolver a presidência para as universidades, que se alternam no comando.
Apesar de ter recuado em relação ao Conselho de Reitores, as outras medidas adotadas pelo governo permanecem inalteradas. Serra manteve, por exemplo, a exigência de prestação de contas através do Siafem (sistema informatizado de controle dos gastos públicos), o que preocupa os reitores, já que eles temem não ter mais como remanejar verbas entre os setores das universidades.
Cobertura ao-vivo
Os estudantes acampados na USP montaram um blog com a cobertura ao-vivo da ocupação. Para acessá-lo, clique .






