Observatório de Mídia e Comunicação: Quatro pontos de vista analisam a atuação da mídia, por Marcos Linhares e Cíntia Magalhães
Observatório de Mídia e Comunicação: Quatro pontos de vista analisam a atuação da mídia, por Marcos Linhares e Cíntia Magalhães
Atualizado em 28/08/2006 às 13:08, por
Marcos Linhares e Cíntia Magalhães / Colaboração ao Portal IMPRENSA.
Observatório de Mídia e Comunicação : Quatro pontos de vista analisam a atuação da mídia, por Marcos Linhares e Cíntia Magalhães
Por São raras as oportunidades em que a mídia pode ser tratada com profundidade. O primeiro Painel do Seminário Internacional Educação, Pobreza e Desenvolvimento reuniu no primeiro dia quatro possibilidades de análises diferentes e distintas a respeito do assunto: Mídia e Comunicação.Números e estatísticas : A primeira fala foi do Coordenador de Relações Acadêmicas da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) , Guilherme Canela. Baseado em pesquisas feitas pela Agência, Canela apresentou um quadro completo de como é feita a cobertura de Educação na mídia brasileira. Um dado inicial apresentado é que o acesso ao ensino superior é o tema mais coberto, mostrando a fragilidade da mídia para falar de ensino básico, público e privado.
Outro dado apresentado foi que, em boa parte, o que sai na imprensa é cobertura de ações no setor público, mas sem uma avaliação concreta das políticas públicas, ficando para trás também as organizações e a sociedade civil. Segundo Canela, dificilmente levanta-se pontos divergentes.
Quantidade e Qualidade : O jornalista Antônio Góis, especializado em educação da Folha de S. Paulo e integrante da Rede ANDI de Jornalistas Amigos da Criança, ressaltou que já se melhorou muito em termos de quantidade a cobertura de educação, mas a qualidade é a discussão central. Um bom exemplo, citado por Góis, foi o caso da cobertura da discussão sobre cotas para negros nas universidades, em que houve uma cobertura sistemática acompanhando o desenvolvimento da polêmica. Góis também ressaltou que os motivos pelos quais os jornais não apresentam aprofundamento no tema educação são relacionados aos interesses do público elitizado leitor dos grandes jornais do Brasil.
Cidadania Planetária : Segundo o professor Luiz Martins, Coordenador da Pós-Graduação de Comunicação Social da Universidade de Brasília, UnB, o mundo está unidimensionado em se tratando de cobertura jornalística. A notícia sobre um país produzida naquele país é muito remota, as informações estão concentradas nas grandes agências de notícias mundiais. Porém, "o ser humano não é universal; ao falar de educação é preciso que não percamos a dimensão que é o ser humano", comenta Martins.
Mobilização : O ex-jornalista e atual Secretário-Geral do Grupo de Institutos Fundações e Empresas (GIFE), Fernando Rosseti, levantou que para se realizar uma boa comunicação o desafio é conseguir provocar uma mobilização social como coletivo. O papel da comunicação é organizar e mobilizar a sociedade civil para transformação e sem educação não é possível instrumentalizar a sociedade para o desenvolvimento. Para se alcançar essa estratégia, Rosseti apresentou um quadro de fatores necessários para se produzir informação de qualidade.
Em tempo, o painel fazia parte do Seminário Internacional Educação, Pobreza e Desenvolvimento, realizado em Brasília (DF), pela Oscip Missão Criança. O evento faz parte do projeto Educação para Combater a Pobreza, financiado pela União Européia e Oxfam.






