O vírus chamado mesmice, por Joyce Souza, aluna da Universidade Estácio de Sá

O vírus chamado mesmice, por Joyce Souza, aluna da Universidade Estácio de Sá

Atualizado em 24/10/2005 às 10:10, por .

O vírus chamado mesmice , por Joyce Souza, aluna da Universidade Estácio de Sá

As pessoas parecem estar perdendo a confiança na inteligência dos jornalistas. Muito disso ocorre pela nossa falta de criatividade na hora de formular perguntas, pois geralmente são iguais.

Uma prova disso recebi recentemente, quando marquei uma entrevista com uma jovem atriz (reservo-me o direito de não citar nomes). Ao falar sobre a possibilidade de ela me receber, ouvi uma pergunta: "podemos fazer por e-mail?". Apesar de o meu editor ter comentado que e-mail seria a última opção, por uma questão de tempo, (sempre estamos à mercê do deadline), aceitei a sua proposta.

Qual foi a minha surpresa quando ela me revelou que mantinha uma lista com as perguntas dos jornalistas, e que sempre fazíamos as mesmas perguntas, apesar de, às vezes, mudarmos algumas palavras.

Sempre defendi a idéia de que o jornalista era aquele que fazia perguntas interessantes, e que de uma maneira ou de outra surpreendíamos o nosso entrevistado. Ledo engano.

Será que estamos perdendo o nosso principal papel na sociedade? Será que as universidades ou os nossos mestres deveriam nos orientar melhor? Talvez o problema não esteja nas instituições de ensino, e sim em nós mesmos, pois jornalistas que estão no mercado há tempos continuam persistindo na mesmice.

As assessorias de imprensa já estão tão acostumadas com essa mesmice, que sugerem perguntas tão "simpáticas" como aquelas da assessoria da Paris Hilton. Temos que sair das mesmas perguntas, temos que surpreender não só os entrevistados, mas os leitores. DEVEMOS.