O prêmio é nosso | Por: Yara Verônica Ferreira / USJT (SP)
O prêmio é nosso | Por: Yara Verônica Ferreira / USJT (SP)
Atualizado em 12/12/2005 às 12:12, por
Por: Yara Verônica Ferreira**.
O prêmio é nosso | Por: Yara Verônica Ferreira / USJT (SP)
Chegou entre tantas uma carta que faria a diferença quando fosse parar numa fita e seu lugar não seria numa estante qualquer como mais uma do arquivo. Foi por conta do relato desta carta que o motorista Edivaldo Gama levou, como habitualmente o faz, a equipe de reportagem do Globo Rural para mais uma viagem. O destino era São José do Vale do Rio Preto, no Estado do Rio de Janeiro.Como sempre acontece em cada gravação, o chefe de reportagem, Lucas Battaglin, passou as coordenadas e o repórter cinematográfico, Francisco Maffezoli Junior saiu na captura das cenas de dejetos de frangos, como penas, vísceras, sangue e até frangos inteiros mortos, enquanto o operador de áudio, Adauto Vieira, regulava os equipamentos para que a voz do repórter César Dassie soasse na altura e tom adequados, no meio do canto de pássaros, berros de cabras e tanto outros sons.
Numa comunidade atuante em prol de um ambiente natural mais saudável, que organizou-se para despoluir o rio, cuja produção local chega a 17 milhões de frangos e antes era uma reserva de lixo dos abatedouros da região, nasceu a reportagem vencedora do 1º prêmio ABS de Jornalismo 2005, categoria Telejornalismo - Meio Ambiente, concedido pela Associação Agência Brasil de Segurança (ABS), entidade sem fins lucrativos, que tem como ideal divulgar ações de solidariedade social nas mais diversas áreas.
Foram 237 trabalhos inscritos, entre impresso, televisão, rádio e web, mas essa história sobre frangos conquistou a banca julgadora. Não se pode ignorar que há mais personagens que se destacaram na reportagem, cuja edição de imagens ficou sob a responsabilidade de Dorival Roque. Um dos personagens até deixou de ser visto apenas como uma ave feia: os urubus, pois eles transformam os resíduos de carniça em adubo, entre outras ações que são importantes para o bom uso da terra e dos dejetos de frangos. Os demais são seres humanos que ganharam em qualidade de vida sem precisar locomoverem-se de seu habitat original, graças as benfeitorias implantadas no sistema de plantação e a esses recursos naturais bem utilizados, fruto da união entre as pessoas.
Sobre a reportagem "Urubus do bem", se quer saber mais, basta acessar o site do Globo Rural. Mas para conhecer melhor esse repórter que está sempre desvendando os segredos da vida no campo, que fica ruborizado por qualquer motivo, mas que quando está diante da câmera nem parece o mesmo homem tímido, siga no ritmo da entrevista.
YVF - Qual a sua formação?
César Dassie - Jornalista, formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Mestre em Comunicação Rural pela Universidade Metodista de São Bernardo do Campo.
YVF - Você já sonhava trabalhar na televisão antes de entrar no curso superior?
César Dassie - A história é meio longa....posso pular essa?!
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YVF - (rs) Certo prometo não insistir! Além de atuar como repórter você dá aulas. Era um sonho ser professor?
César Dassie - Não sei se sonho, mas a sala de aula sempre me atraiu....apesar de uma certa timidez...
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YVF - Como você concilia as duas atividades?
César Dassie - Nem eu sei. Só para você ter uma idéia, moro na Aclimação, trabalho na TV Globo, perto do bairro Morumbi, e dou aulas na Universidade São Judas Tadeu, na Mooca. Só aí já dá para imaginar a correria. De resto, são ajustes diários, seja na redação, nas viagens ou com os alunos.
YVF - Como surgiu a idéia de atuar no jornalismo rural?
César Dassie - Nasci no interior do Estado de São Paulo, no município de Presidente Venceslau. Lá, acompanhava meu pai e meu irmão mais velho no sítio, às vezes vacinando gado, ás vezes colhendo algodão etc. Mas, nessa época, nem pensava em trabalhar com jornalismo, quem dirá jornalismo rural. Daí, fui para Piracicaba fazer a faculdade e trabalhei dois anos na Assessoria de Comunicação da Esalq - a Escola de Agronomia da USP, e continuo nessa área até hoje. Para falar a verdade, é minha praia (rs).
YVF - As pautas nessa área são criadas a partir de que dados?
César Dassie - De todos, seja do contato que os telespectadores estabelecem com o Globo Rural por meio de contato com telespectadores, releases, recortes, ou de qualquer conversa no campo com os agricultores. No caso específico da reportagem "Urubus do bem", surgiu a partir de uma carta recebida pelo Programa Globo Rural, contando sobre o trabalho que vinha sendo feito em São José do Vale do Rio Preto.
YVF - Qual a importância desse prêmio para a área jornalística?
César Dassie - Ter seu trabalho reconhecido é algo que estimula o aperfeiçoamento da nossa profissão. Em TV, e acredito que no jornalismo em geral, não se faz nada sozinho. Um prêmio como esse reconhece não apenas o repórter, mas também o repórter cinematográfico, o produtor, o editor de imagens, a chefia de reportagem, o operador de áudio, enfim, todos os envolvidos na reportagem. Será que respondi?!
Dassie é assim, ao fim de cada explicação sua deixa* é uma pergunta que figura como um aviso: - Não fique com dúvidas.
* Para alguns leitores que desconhecem os termos televisivos, deixa é o termo usado numa entrevista para acusar o fim da reportagem.
** Yara Verônica Ferreira é estudante de jornalismo da Universidade São Judas Tadeu (São Paulo/SP)
Contato:www.e-zine.entrepalavras.com.br






