O lado real do correspondente de Guerra /Maria Thereza César - Universidade Metodista - SP

O lado real do correspondente de Guerra /Maria Thereza César - Universidade Metodista - SP

Atualizado em 17/10/2005 às 12:10, por Maria Thereza César e  estudante da Universidade Metodista - SP.

O lado real do correspondente de Guerra /Maria Thereza César - Universidade Metodista - SP

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O coração bate forte, o cérebro respira menos, tremedeiras nas pernas, adrenalina a mil ao som de bombas, granadas, tiros de fuzis, crianças chorando e sangue para todos os lados. É por esses momentos que um correspondente de conflito armado passa tentando manter a calma e a frieza para passar a notícia sem que os leitores ou telespectador se sintam prejudicados pela falta de informação.

Para cobrir um conflito ou uma guerra, o jornalista é assegurado por leis e direitos que o protegem. Durante a cobertura, o correspondente é visto pelo Direito Internacional Humanitário como um civil e deve ser respeitado como tal. Mesmo assim, casos de seqüestros, prisões e desrespeitos ao Direito Humanitário são freqüentes. Como ocorrido com o jornalista William Waack do Jornal da Globo que foi preso na década de 1980 durante a primeira guerra do Iraque e só libertado com o auxílio da Cruz Vermelha na qual tem gratidão até hoje.

Dos 31 anos de carreira jornalística, William foi correspondente por 26 anos e já cobriu oito guerras como a do Golfo, da Iugoslávia, Croácia, as duas guerras do Iraque entre outras, porém adverte aqueles que querem cobrir guerra por motivos relacionados à vaidade, "Todo mundo que vai para uma situação de conflito armado pelo ego, está totalmente equivocado".

Devido aos altos custos de enviar e manter o correspondente durante o conflito, não é possível enviar, por este motivo, as disputas nas redações para assumir o cargo é muito grande. Porém, para aqueles que querem atuar nessa área, um dos requisitos mais importantes é o de ser capaz de contar bem uma história. "O domínio da cultura, história e política do local é essencial, nada diferente do que é exigido por um profissional que quer destaque", explica William.

Para quem acha que é fácil atuar nessa área diante de uma guerra, engana-se. Muitos correspondentes buscam como meio de compensação o uso de drogas, álcool e sexo, tudo para reconquistar a estabilidade emocional, o equilíbrio. "Você está submetido a uma carga emocional, é sobrehumano, não é saudável, não te faz bem, mas te atraí", diz Waack. Para se conseguir uma boa matéria, além de conquistar uma boa fonte, é preciso ter cautelas visando a própria segurança e da equipe que o acompanha em caso de matérias televisivas. "Quanto mais inteligente o repórter, mais pautas ele vai ter", brinca Waack.

utra dica dada pelo Waack é que durante a cobertura, manter ao máximo o envolvimento pessoal separado do profissional, não deve se sentir envolvido de uma maneira ou de outra. "Quem está emocionado não escreve para emocionar. Tudo é uma questão de técnica", comenta Waack.