O jornalismo que não se vê na TV | Por Janaina Pereira, estudante de jornalismo da Uninove - SP
O jornalismo que não se vê na TV | Por Janaina Pereira, estudante de jornalismo da Uninove - SP
Atualizado em 08/03/2006 às 17:03, por
Janaina Pereira e estudante de jornalismo da Uninove - SP.
O jornalismo que não se vê na TV | Por
Por O filme "Boa Noite e Boa Sorte", de George Clooney, está chamando a atenção de jornalistas e estudantes de jornalismo por contar a história do repórter Edward Murrow, considerado uma referência do jornalismo americano. O Inove conversou com o jornalista Sérgio Rizzo, crítico de cinema da Folha de S. Paulo , sobre os diversos ângulos da profissão, abordados pelo filme.Logo no começo de "Boa Noite e Boa Sorte", percebe-se uma grande diferença do jornalismo da década de 50 para o de hoje: enquanto naquela época havia uma relação próxima entre os telespectadores e a notícia, hoje em dia a inteligência do telespectador parece ter sido desvalorizada. No Brasil, o jornalista Willian Bonner comparou as pessoas que assistem televisão ao personagem Homer Simpson. Sérgio Rizzo analisou esta situação como jornalista e também como telespectador que acompanha telejornais. Segundo ele, o fato de "Boa Noite e Boa Sorte" valorizar a inteligência do público de TV é motivo de satisfação, e se alguém, em qualquer emissora, desqualifica seu próprio público, isso sim é lamentável.
Rizzo comentou também outro ponto bastante atual abordado pelo filme: a liberdade editorial. "Sempre é possível lutar pela liberdade editorial, ainda que nem sempre seja possível ganhar essa disputa. Mesmo nesses casos, a luta pela autonomia serviria, na pior das hipóteses, para marcar posição e apaziguar a consciência", disse o jornalista.
O estilo do jornalista Edward Murrow, que se tornou uma referência nos EUA, é bastante exaltado na produção de George Clooney (que não por acaso, é filho de jornalista). Sobre isso, Rizzo analisou: "é importante não confundir o personagem real com o do filme, já que, por mais que a representação de fatos verídicos tenha sido cuidadosa, é sempre representação, como ocorre o tempo todo no cinema. Não conheci Murrow e por isso, para mim, seu retrato no filme está carregado de valores positivos para o jornalismo: independência, coragem e perspicácia. Não é difícil notar que esses valores têm lentamente desaparecido, nos EUA e no Brasil, mas a história de nosso jornalismo não corresponde ao desenvolvimento do americano, como vemos no livro "O Adiantado da Hora", de Carlos Eduardo Lins da Silva".
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Para Sérgio Rizzo, "Boa Noite e boa sorte" é filme para público seleto. Com seis indicações ao Oscar, o filme aparece como azarão na corrida pelo prêmio mais cobiçado de Hollywood.
O maior rival do filme de George Clooney é "O Segredo de Brokeback Mountain", de Ang Lee, para quem perdeu o Leão de Ouro de melhor filme do Festival de Veneza, em 2005. Segundo Sérgio Rizzo, as premiações em festivais expressam a formação do júri e a ascendência ou não de seu presidente sobre os demais. Para ele, é improvável que "Boa noite e boa sorte" vença mais do que um ou dois Oscar, e é bem possível que não vença nenhum.
Sobre o fato cada vez mais comum dos atores americanos virarem diretores, Rizzo fez questão de frisar que Hollywood adora atores que viram bons diretores, já que a história apagou do mapa todos os que viraram maus diretores, ou nem tão bem-sucedidos. O jornalista disse que os dois filmes dirigidos por George Clooney demonstram que ele não se contenta em meramente seguir fórmulas prontas, e que opta por se dirigir a menos gente, porém, gente mais qualificada.






