O bêbado e o jornalista:Oswaldo Martins, ombudsman da TV Cultura, analisa polêmica em torno da matéria de Veja e as declarações de Vladimir Poleto
O bêbado e o jornalista:Oswaldo Martins, ombudsman da TV Cultura, analisa polêmica em torno da matéria de Veja e as declarações de Vladimir PoletoA revista IMPRENSA, em sua próxima edição, trará uma matéria especial sobre a polêmica envolvendo as declarações do economista Vladimir Poleto - apontado em matéria da revista Veja , como um dos transportadores dos dólares cubanos, que financiariam a campanha presidencial de Lula, em 2002.
Atualizado em 23/11/2005 às 09:11, por
Redação Portal IMPRENSA.
:Oswaldo Martins, ombudsman da TV Cultura, analisa polêmica em torno da matéria de Veja e as declarações de Vladimir Poleto
A revista IMPRENSA, em sua próxima edição, trará uma matéria especial sobre a polêmica envolvendo as declarações do economista Vladimir Poleto - apontado em matéria da revista Veja , como um dos transportadores dos dólares cubanos, que financiariam a campanha presidencial de Lula, em 2002. Poleto não só desmente a revista, como alega não se lembrar de qualquer declaração dada ao repórter Policarpo Jr., já que estava bêbado.
IMPRENSA ouviu advogados, professores de ética e jornalistas, a fim de saber qual a avaliação de cada um deles sobre a polêmica. Acompanhe.
IMPRENSA - Uma entrevista com uma pessoa embriagada pode ser levada em consideração?
Martins - No depoimento dele na CPI foi mostrado um trecho dessa gravação. Pelo que se ouviu, nada indica que ele estivesse fora do juízo moral. Isso não transparece. Nesse ponto, a Veja teve razão, buscou interesse jornalístico obtido nos padrões éticos. O Poleto acabou usando essa desculpa que não é convincente. Grave é se o repórter estivesse bêbado.
IMPRENSA - Como o senhor avalia o fato de Veja ter publicado a entrevista, mesmo com os pedidos de Poleto de não publicá-la?
Martins - É um outro lado da questão. Com um e-mail pedindo para não publicar, cria-se uma situação ética. Enquanto a entrevista não é publicada, o entrevistado tem esse direito de cancelar suas declarações. Aí a Veja errou, a revista deveria ter atendido o entrevistado. É um direito que ele tem. É uma lição de ética que eu aprendi quando trabalhei na Globo. Lá tinha uma orientação pra redação sobre entrevista gravada na tv, ensinavam que enquanto a entrevista não for ao ar, o entrevistado tem direito de mudar opinião, até de cancelar o que havia falado. Ele pode só mudar de idéia, não precisa estar bêbado.
IMPRENSA - Como o senhor avalia as declarações de Poleto?
Martins - Ele tem a favor o pedido (do e-mail) que não foi atendido. As razões, porém, não podem ser levadas a sério. Não tem credibilidade quando fala que estava bêbado. Provocou gargalhadas, até. Não precisa alegar nada. Basta dizer que mudou de idéia. A revista teria obrigação de ouvi-lo outra vez.
A revista IMPRENSA, em sua próxima edição, trará uma matéria especial sobre a polêmica envolvendo as declarações do economista Vladimir Poleto - apontado em matéria da revista Veja , como um dos transportadores dos dólares cubanos, que financiariam a campanha presidencial de Lula, em 2002. Poleto não só desmente a revista, como alega não se lembrar de qualquer declaração dada ao repórter Policarpo Jr., já que estava bêbado.
IMPRENSA ouviu advogados, professores de ética e jornalistas, a fim de saber qual a avaliação de cada um deles sobre a polêmica. Acompanhe.
IMPRENSA - Uma entrevista com uma pessoa embriagada pode ser levada em consideração?
Martins - No depoimento dele na CPI foi mostrado um trecho dessa gravação. Pelo que se ouviu, nada indica que ele estivesse fora do juízo moral. Isso não transparece. Nesse ponto, a Veja teve razão, buscou interesse jornalístico obtido nos padrões éticos. O Poleto acabou usando essa desculpa que não é convincente. Grave é se o repórter estivesse bêbado.
IMPRENSA - Como o senhor avalia o fato de Veja ter publicado a entrevista, mesmo com os pedidos de Poleto de não publicá-la?
Martins - É um outro lado da questão. Com um e-mail pedindo para não publicar, cria-se uma situação ética. Enquanto a entrevista não é publicada, o entrevistado tem esse direito de cancelar suas declarações. Aí a Veja errou, a revista deveria ter atendido o entrevistado. É um direito que ele tem. É uma lição de ética que eu aprendi quando trabalhei na Globo. Lá tinha uma orientação pra redação sobre entrevista gravada na tv, ensinavam que enquanto a entrevista não for ao ar, o entrevistado tem direito de mudar opinião, até de cancelar o que havia falado. Ele pode só mudar de idéia, não precisa estar bêbado.
IMPRENSA - Como o senhor avalia as declarações de Poleto?
Martins - Ele tem a favor o pedido (do e-mail) que não foi atendido. As razões, porém, não podem ser levadas a sério. Não tem credibilidade quando fala que estava bêbado. Provocou gargalhadas, até. Não precisa alegar nada. Basta dizer que mudou de idéia. A revista teria obrigação de ouvi-lo outra vez.






